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15.03.2008 imprimir Imprimir
 

Repressão a protestos no Tibete deixa mortos e feridos em Lhasa

Pequim - Dezenas de pessoas ficaram feridas ontem durante choques entre manifestantes tibetanos e for ças policiais em Lhasa, nas mais violentas demonstrações contra a presença da China na região desde 1989, quando a Lei Marcial vigorou no Tibete por 13 meses. A norte-americana Radio Free Asia divulgou que duas pessoas morreram vítimas de disparos das forças de segurança.

Cerca de mil pessoas que protestavam no centro da capital incendiaram lojas, atiraram pedras contra os policiais e destruíram carros militares. As ruas foram ocupadas pelas forças de segurança, que usaram bombas de gás lacrimogêneo e dispararam contra os manifestantes, segundo diversos relatos feitos a agências de notícias internacionais.

A menos de 150 dias dos Jogos Olímpicos de Pequim, a China enfrenta uma escalada de protestos contra seu governo no Tibete. As manifestações tiveram início na segunda-feira, data de aniversário do fracassado levante contra o domínio chinês realizado em 1959, que foi reprimido pelo Exército de Libertação Popular e levou ao exílio do Dalai Lama, líder espiritual dos tibetanos. Na segunda e na terça-feira, cerca de 500 monges de três mosteiros nos arredores de Lhasa realizaram marchas para lembrar a data.

Ontem, houve protestos em Lhasa e em duas outras províncias da China habitadas por tibetanos: Qinghai e Gansu. Na Índia e no Nepal, manifestantes pró-Tibete, incluindo monges, também entraram em confronto com a polícia e dezenas de pessoas foram presas nos dois países, vizinhos do Tibete.

A Embaixada dos Estados Unidos em Pequim afirmou que cidadãos americanos que estão em Lhasa relataram ter ouvido sons de tiros durante os confrontos. A embaixada orientou os viajantes de seu país a se afastarem da cidade. Moradores de Lhasa descreveram um cenário de caos a agências internacionais. "A situação é bastante séria. Há um toque de recolher na cidade e eu posso ver militares bloqueando todas as ruas para o centro da cidade. Quase todas as lojas estão fechadas", disse à Associated Press um residente de Lhasa que pediu para não ser identificado.

De seu exílio na cidade de Dharamsala, na Índia, o Dalai Lama divulgou nota na qual pede que o governo chinês pare de usar violência contra os manifestantes. "Esses protestos são a manifestação do profundo ressentimento do povo tibetano contra o presente governo", afirmou. O líder religioso apelou para que as divergências sejam resolvidas por meio do diálogo.

As manifestações ocorrem durante a reunião em Pequim do Congresso Nacional do Povo, o parlamento de 3 mil pessoas que se reúne uma vez por ano. No domingo, eles vão "eleger" os novos líderes da China, uma coreografia de cartas marcadas que dará mais cinco anos de mandato ao presidente Hu Jintao e ao primeiro-ministro Wen Jiabao.

Também serão eleitos os que irão sucedê-los daqui a cinco anos, Xi Jinping e Li Keqian, escolhidos no Congresso do Partido Comunista realizado em outubro.

O dia de ontem começou com a notícia de que a polícia havia fechado para visitação e ocupado três mosteiros onde vivem monges budistas que realizaram marchas na segunda e terça-feira e foram dispersados com bombas de gás lacrimogêneo.

A Radio Free Asia, financiada pelo governo norte-americano, divulgou que monges do mosteiro Sera iniciaram uma greve de fome contra a ocupação e outros dois do mosteiro Drepung tentaram suicídio.

Depois do confronto de ontem, o governo determinou a suspensão de viagens de estrangeiros para a região, segundo relato de agências de turismo. O Tibete é a única área da China na qual estrangeiros e chineses só podem entrar com autorização especial do governo. As visitas de jornalistas são extremamente controladas e normalmente só ocorrem em excursões organizadas pelo governo.

Os defensores da independência ou de um maior grau de autonomia do Tibete vêem a proximidade da Olimpíada como uma chance de atrair a atenção mundial à sua causa. O governo chinês tem intensificado a censura e a repressão a dissidentes, na tentativa de impedir manifestações durante os Jogos, que serão o maior evento internacional já realizado na China.

 
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