Investidor busca "porto seguro" e faz bolsas despencarem
São Paulo - Uma onda de aversão a risco assolou o mercado financeiro na quarta-feira e derrubou as bolsas do mundo inteiro, depois da euforia de terça-feira. Desconfiados do rumo da economia americana e da crise financeira, investidores se desfizeram de aplicações em commodities e se refugiaram em ativos em dólar. O movimento provocou queda generalizada dos preços internacionais de matéria-prima e atingiu em cheio as ações de companhias ligadas aos produtos.
Não por acaso o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) foi o que mais sofreu. Fechou em queda de 5,01%, para 58.827 pontos, no segundo maior recuo do ano. Isso porque o índice da Bolsa paulista é altamente concentrado em empresas associadas ao mercado de commodities, como é o caso de Vale e Petrobras. No caso da mineradora, as ações preferenciais recuaram 7,21% e as ordinárias, 6,86%. Já os papéis da Petrobras caíram, respectivamente, 7,40% e 5,84%, refletindo a queda de 4,51% no barril do petróleo, para US$ 104,48. Juntas as duas companhias têm participação de 31% no Ibovespa.
Em Wall Street, o desempenho também não foi nada animador. Apesar de ensaiar bom humor no início do pregão, com lucro do Morgan Stanley maior que o esperado, os investidores não perdoaram e iniciaram a tarde em terreno negativo. Eles nem levaram em conta a ampliação das facilidades para que as agências Fannie Mae e Freddie Mac reativem o segmento de hipotecas. O Dow Jones caiu 2,36%; o Nasdaq, 2,57%; e S&P 100, 2,34%.
Segundo analistas, entre as explicações para a queda das commodities está a preocupação com os índices inflacionários que o Federal Reserve (Fed) imprimiu no comunicado após o corte dos juros, na terça-feira. Ou seja, a qualquer momento ele pode preterir o crescimento econômico para conter a inflação, elevando os juros. Isso significa menos consumo e menor demanda por commodities. Além disso, o desmonte de dois fundos, um deles o do Carlyle, também pressionou o movimento de venda de papéis, especialmente aqui no Brasil.
O fato é que os investidores correram de qualquer tipo de risco e se refugiaram no maior porto seguro do mundo, os títulos americanos. "A questão não é só matemática. É sensibilidade", traduziu o gerente de câmbio da Hencorp Commcor Corretora, Marcos Forgione. "Os investidores não bancaram suas posições com medo do que vem pela frente e saíram vendendo, o que provocou a queda brutal dos preços das matérias-primas."
Nos últimos meses, o volume negociado no mercado de commodities aumentou expressivamente com a entrada de especuladores para fugir das bolsas e da moeda americana. Isso acabou criando uma bolha, avalia o economista da Sul América Investimentos, Newton Rosa. |