Insulza demonstra ceticismo com informações atribuídas às Farc
Quito - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, pediu que "não se perca a cabeça" com os supostos documentos encontrados nos computadores do ex-número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes. Segundo Insulza, nem a Interpol pode assegurar que as informações sejam corretas.
Em uma entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal equatoriano El Comercio, Insulza declarou: "Vou esperar o que dirá a Interpol e que alguém me diga por quê razões crê que o que está ali é verdade, porque também pode haver falsificações não só materiais, mas também ideológicas."
E prosseguiu: "Deve-se levar em conta que não é porque se encontra um documento que se encontra a verdade".
No dia 1º de março, a Colômbia atacou um acampamento das Farc instalado clandestinamente em território equatoriano. Na ação morreram 25 pessoas, inclusive Raúl Reyes, um dos sete membros do secretariado das Farc - mais alta instância - do grupo.
Após a operação, o governo colombiano afirmou ter encontrado computadores no esconderijo. A polícia colombiana divulgou então documentos que estariam naqueles computadores. Os papéis apontam supostos contatos das Farc com altos funcionários equatorianos, propostas de negócios entre os rebeldes e a Venezuela, assim como vendas de cocaína.
"A Interpol dirá se esses computadores tinham essa informação antes de 1º de março e se essa não foi manipulada ou alterada. O que a Interpol não pode assegurar é que a informação de Reyes, ou de quem for, seja certa", disse Insulza.
Segundo o secretário-geral da OEA, não basta Reyes dizer "demos dinheiro a este" para que isso seja verdade. A divulgação do trabalho de investigação da organização policial internacional deve ocorrer em meados de abril. O governo do Equador nega qualquer vínculo com a guerrilha.
Na quinta-feira, numa breve conversa com jornalistas em Washington, Insulza observou ainda que o conceito de "legítima defesa" debatido na última reunião de chanceleres em torno da crise entre Colômbia e Equador não cabe ao caso porque a agressão provinha de um grupo irregular, e não de um outro país.
"Legítima defesa é a defesa contra uma agressão. E tal agressão se produz quando um país ataca outro, e não quando um grupo irregular ataca um país, mesmo que esteja baseado em outro", explicou.
Ainda de acordo com ele, os critérios de legítima defesa estão devidamente tipificados na carta da OEA e nas convenções da Organização das Nações Unidas (ONU).
Nos debates sobre o tema, os EUA, aliados da Colômbia, defenderam que a ação de Bogotá contra as Farc em solo equatoriano representava um ato de "legítima defesa".