Bush comemora cinco anos da invasão do Iraque como "grande vitória"
Washington - Cinco anos após ordenar a invasão do Iraque, o presidente americano, George W. Bush, defendeu o conflito e descreveu a guerra como uma "grande vitória estratégica" e um "sucesso inegável".
Discursando para militares, políticos e diplomatas em Washington, Bush falou sem rodeios - como raramente costuma fazer - sobre os "altos custos da guerra", tanto em número de vítimas (quase 4 mil militares americanos já morreram), como em verbas (o custo já ultrapassa US$ 500 bilhões).
No entanto, ele insistiu que a invasão ao Iraque tornou os EUA e o mundo lugares mais seguros. "Com cinco anos de batalha, há um debate compreensível sobre se essa era uma guerra que valia à pena lutar, se era uma luta que valia à pena ganhar, se podemos vencer", disse. "As respostas são claras para mim. Retirar Saddam Hussein do poder foi a decisão certa e essa é uma luta que a América pode e deve vencer."
Segundo uma pesquisa do jornal Washington Post e da rede ABC News, quase dois terços dos americanos não acham que a guerra é válida.
Com menos de um ano para deixar o governo, Bush afirmou ainda que não ordenará a retirada das tropas além das já programadas, porque ele se nega a pôr em risco as batalhas que já foram vencidas.
"A batalha no Iraque vem sendo mais longa, mais dura e mais custosa que nós antecipamos. Mas ela é nobre e necessária. E, com a coragem de vocês, a batalha no Iraque terminará com uma vitória", disse o líder americano, alegando que esses custos eram necessários se fosse levada em conta "a vitória estratégica contra nossos inimigos no Iraque".
Rejeitando o pedido dos democratas para que seja estabelecido um calendário de retirada dos militares americanos, Bush defendeu a ampliação de soldados que ocorreu em fevereiro do ano passado. "O aumento de tropas fez mais do que modificar a situação iraquiana. Abriu a porta para uma estratégia vitoriosa na guerra ao terror."
Os EUA têm atualmente 160 mil homens no Iraque e mais de 20 mil devem voltar para casa em julho. O presidente reiterou que qualquer decisão sobre a retirada de mais soldados dependerá das recomendações que os comandantes e diplomatas americanos no Iraque farão ao Congresso em julho.
Segundo Bush, essa estratégia permitiu "a primeira revolta árabe em grande escala contra Osama bin Laden, sua ideologia obscura e sua rede terrorista", em referência à Al-Qaeda do Iraque.
Um instituto americano que monitora sites islâmicos afirmou na quarta-feira que deve ir ao ar nos próximos dois dias uma mensagem de Bin Laden, cujo título seria "A resposta será o que você vai ver, não o que vai ouvir".
Pesquisa do instituto Zogby divulgada na quarta-feira mostrou que a popularidade de Bush caiu 8% em relação ao mês passado. Enquanto em fevereiro, 34% dos americanos apoiavam a gestão do presidente, neste mês o porcentual caiu para 26%.
Segundo a sondagem, Bush "perdeu terreno em todo o espectro político, até mesmo entre eleitores de seu próprio partido".