China acusa Dalai Lama de tentar sabotar os Jogos Olímpicos
Chengdu - A China acusou o Dalai Lama no domingo (23) de orquestrar os recentes levantes contra o governo chinês no Tibet em uma tentativa de arruinar os Jogos Olímpicos de Pequim e derrubar os líderes comunistas da região. As acusações ocorrem em meio a forte presença de tropas chinesas em regiões tibetanas e seu isolamento com o restante do mundo. Com a expulsão da mídia estrangeira, as informações mal chegam de Lhasa, capital do Tibet, e de outras comunidades dispersas.
O governo chinês tenta preencher o vácuo de informação com sua própria mensagem, dizendo através da mídia que as áreas estão sob controle. Ao mesmo tempo, Pequim acusa o Dalai Lama, prêmio Nobel da Paz em 1989, de tentar prejudicar a imagem da China. "O motivo diabólico da facção Dalai é provocar problemas em um momento sensível e deliberadamente torná-lo maior e até mesmo provocar um banho de sangue de forma que se prejudique os Jogos Olímpicos de Pequim", disse o jornal Tibet Times, que classificou a confrontação como "uma luta de vida e morte entre nós e o inimigo".
"A facção Dalai é um esquema para tornar os Jogos Olímpicos de Pequim reféns para forçar o governo chinês a fazer concessões para a independência do Tibet", disse o Diário do Povo, o principal porta-voz do Partido Comunista da China.
O Dalai Lama, que prega a não violência e nega estar por trás dos levantes de 14 de março em Lhasa, novamente defendeu no domingo (23) que apóia o fato da China ser a sede desta edição dos Jogos Olímpicos. "Eu quero dizer que os Jogos... Tendo lugar em Pequim... De forma que mais de 1 bilhão de seres humanos, quero dizer chineses, vão se sentir orgulhosos", disse o Dalai Lama à margem de uma sessão de orações budistas em Nova Délhi (Índia), onde vive no exílio.
Também no domingo (23), a China elevou o total de mortos em seis, para 22, com a agência de notícias oficial Xhinhua reportando no sábado (22) que os restos carbonizados de um menino de oito meses e quatro adultos foram retirados de uma garagem que pegou fogo em Lhasa no domingo passado - dois dias depois da cidade ter sido tomada por protestos anti-chineses. O governo no exílio do Dalai Lama diz que 99 tibetanos foram assassinados, 80 em Lhasa e 19 na província de Gansu.
Apesar das restrições da mídia impostas pelo governo chinês, algumas informações foram vazadas sobre os movimentos das tropas chinesas. Um turista norte-americano que viajou para Chengdu, capital da provincial de Sichuan, disse que viu soldados ou tropas paramilitares em Degen, no noroeste da província de Yunnan, que faz fronteira com o Tibet. Não foram reportados protestos em Yunnan. Nnan.
A agência de notícias Xinhua emitiu diversos informes no domingo (23) dizendo que além da província de Gansu, a vida está voltando ao normal em outras áreas onde ocorreram protestos. Segundo a agência, "mais da metade das lojas das principais ruas estavam reabrindo as portas para os negócios" em Aba, centro do município de Aba no norte de Sichuan. O chefe local do Partido Comunista, Kang Qingwei, foi citado dizendo que as repartições públicas e principais empresas estão "funcionando normalmente" e que as escolas seriam reabertas na segunda-feira (24).
Segundo a agência Xinhua, em Aba a polícia baleou e feriu quatro manifestantes em uma ação de autodefesa. Esta foi a primeira vez que o governo reconheceu ter atirado em qualquer manifestante. Não há meios de confirmar de forma independentes os despachos da agência de notícias oficial chinesa. |