Bush lamenta as 4.000 mortes de soldados dos EUA no Iraque
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, "lamentou" que o número de soldados mortos em combate no Iraque tenha chegado a 4.000 e assumiu a responsabilidade pelas decisões tomadas, segundo a Casa Branca.
"É óbvio que Bush lamenta a situação. Ele se abalou com a morte de cada vida perdida desde o primeiro dia da guerra (...) O presidente se responsabiliza pelas suas escolhas e tem responsabilidade pelo sucesso na guerra", afirmou a porta-voz do governo, Dana Perino, nesta segunda-feira (24).
A marca foi alcançada após o Exército dos EUA anunciar a morte de quatro soldados neste domingo (23) com a explosão de uma bomba perto do carro em que estavam no sul de Bagdá (capital iraquiana).
As mortes aconteceram no dia em que a ultraprotegida Zona Verde, o complexo diplomático e governamental no centro de Bagdá, foi atingida por vários mísseis e morteiros, como parte de um aumento na violência na capital e nos arredores. Ao menos 47 pessoas morreram em vários atentados ocorridos ontem pelo país.
O vice-presidente Dick Cheney, em visita a Jerusalém, afirmou que o marco de 4.000 mortos "tem efeito psicológico nas pessoas e é uma tragédia neste mundo em que vivemos".
Apesar das perdas, Bush se aproveitou da oportunidade da celebração dos cinco anos da guerra para discursar a favor da invasão ao Iraque e rejeitar qualquer insinuação de retirada de tropas da região.
O número de mortes de soldados norte-americanos no Iraque atingiu a marca de 1.000 em setembro de 2004, 18 meses após a invasão e no meio meio das eleições presidenciais que reelegeram o presidente George W. Bush.
O número chegou a 2.000 em outubro de 2005, quando insurgentes árabes-sunitas lutaram para expulsar o governo de Bagdá. E o número 3.000 foi registrado em dezembro de 2006, antes de Bush revelar um plano de mandar mais 30 mil homens ao Iraque para conter a violência que havia matado dezenas de milhares de iraquianos.
Civis
O número de soldados norte-americanos mortos no Iraque é apenas uma fração da estimativa de civis iraquianos mortos desde março de 2003. A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou, em janeiro, que o número de civis mortos violentamente desde o início da invasão oscila entre 104 mil e 223 mil. Já a organização não-governamental Iraq Body Count afirma que entre 82.249 e 89.760 civis morreram desde o início da guerra.
As forças de segurança iraquianas perderam cerca de 12 mil policiais, segundo as autoridades do país.
Cerca de 40% dos soldados dos EUA morreram em atentados, a maioria provocada por bombas caseiras escondidas nas estradas. Esses artefatos obrigaram o Pentágono a enviar ao Iraque veículos mais modernos, com blindagens mais resistentes. O ano mais sangrento para o Exército americano foi 2007, com 901 mortos. |