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29.03.2008 imprimir Imprimir
 

Obama pede mais regulação financeira e Hillary acusa McCain

Washington - O pré-candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu na quinta-feira mais inspeções e regulação do sistema financeiro dos EUA. A rival de Obama pela indicação do Partido Democrata, Hillary Clinton, acusou o candidato republicano, John McCain, de estar despreparado para governar um país em risco de recessão.

Os dois pré-candidatos democratas propuseram soluções diferentes para enfrentar a crise causada pelo mercado de hipotecas de segunda linha (subprime). Hillary sugeriu um programa de treinamento para capacitação de trabalhadores no valor de US$ 2,5 bilhões (R$ 4,3 bilhões).

Já Obama pediu melhorias na regulação dos mercados financeiros. "Nós não fazemos nenhum favor aos negócios americanos - e ao povo americano - quando não enxergamos a excessiva alavancagem e os riscos excessivos."

Obama também propôs medidas para aliviar a situação dos donos de imóveis e um pacote adicional de estímulo no valor de US$ 30 bilhões (R$ 51,9 bilhões) para a economia norte-americana.

O candidato falava perto de Wall Street, em Nova York, duramente atingida pela crise dos subprimes e problemas de crédito. "Se nós estendermos a mão para os bancos em Wall Street, podemos estender uma mão para os americanos que estão batalhando", disse ele.

Hillary acusou McCain de não estar preparado para lidar com os atuais problemas na economia, por não conhecer o assunto o suficiente. "O telefone está tocando, e ele apenas deixaria tocar e tocar", disse a candidata, referindo-se a um comercial intitulado "Telefonema às 3 horas da manhã", utilizado anteriormente para afirmar que Obama não saberia lidar com uma crise de segurança nacional. Dessa vez, ela ironizou o senador pelo Arizona por se opor à intervenção do governo na crise de crédito e hipotecas.

Obama brincou na quarta-feira com McCain, quando o descreveu a abordagem do rival na economia como "Acomode-se e espere". O democrata afirmou que McCain oferecia pouco para os que estavam na iminência de perder suas casas.

Na terça-feira, o republicano criticou a intervenção do governo para salvar bancos e pequenos emprestadores que não tiveram responsabilidade, segundo ele. Além disso, McCain ofereceu poucas alternativas para solucionar a questão.

Falando em Raleigh, Carolina do Norte, Hillary focou na quinta-feira seu discurso na questão da insegurança em relação ao trabalho. Ela afirmou que o governo deveria assumir responsabilidades com os trabalhadores que perderam suas casas. O Estado terá primárias no dia 5 de maio.

"Nosso governo é mais focado em como você perdeu seu emprego que em como você pode conseguir outro", criticou Hillary. "E enquanto nós estivemos focados em tentar ajudar os desempregados, houve poucos esforços para ajudar as pessoas a ganharem novas habilidades enquanto elas ainda têm seus atuais empregos."

A ex-primeira-dama propôs a extensão do auxílio federal para trabalhadores inscritos em programas educacionais destinados a atualizar suas habilidades.

Mesmo antes de os democratas discursarem, McCain havia divulgado um comunicado. "Há uma tendência entre os liberais para buscar grandes programas do governo que atingem os contribuintes americanos enquanto não conseguem resolver os verdadeiros problemas que enfrentamos."

O debate político acontece após a divulgação de um novo relatório do governo que mostra que a economia dos EUA apresentava sinais de desaceleração no fim do ano e provavelmente piorará em meio às crises com habitação, crédito e financeira.

Os ataques de Obama a McCain marcam uma mudança de comportamento do democrata. Nos dias anteriores, ele ficou mais preocupado em atacar Hillary, enquanto tentava minimizar declarações impopulares de seu ex-pastor.

As declarações também demonstram o esforço de Obama para focar em McCain que, após garantir a nomeação republicana, já age tendo no horizonte a campanha das eleições gerais de novembro, em que enfrentará um dos dois pré-candidatos democratas.

Pesquisas nacionais mostram o veterano senador e ex-prisioneiro de guerra do Vietnã empatado ou um pouco à frente dos rivais. Obama está com mais delegados garantidos entre seu partido, ganhou mais primárias estaduais e lidera em pesquisas dos democratas - ainda restam dez votações entre Hillary e Obama pela nomeação do partido.

 
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