Alexandre Pato estréia com gol e garante vitória do Brasil
Londres - Uma chuva fina come çou a cair no Emirates Stadium aos 26 minutos do segundo tempo do amistoso Brasil 1 x 0 Suécia, realizado sob o frio que resolveu não deixar Londres desde o início da primavera, em 21 de março. Coincidência ou não, choveu no exato momento em que o mais novo craque do futebol brasileiro, um garoto magrinho, tímido, que se chama Alexandre Pato e já é ídolo na Itália, marcava um gol genial, logo em sua estréia pela seleção principal. Era o gol da vitória de um amistoso irritante no início e marcante no final.
Pela escalação do técnico Dunga, esperava-se mais da seleção brasileira, principalmente da dupla Robinho e Luís Fabiano. Os dois atacantes até destoavam, mas não pelo futebol apresentado. O jogador do Real Madrid era o único da equipe brasileira com chuteiras vermelhas e o do Sevilla, ao contrário dos demais, passou quase todo o tempo com a camisa fora do calção.
Ainda assim, Robinho e Diego conseguiram algumas boas jogadas para o Brasil no primeiro tempo, lembrando vagamente o auge da dupla no Santos. No mais, pela falta de qualidade técnica, a seleção brasileira não conseguia empolgar. Por poucas vezes, teve bons momentos.
Logo no início do jogo, o zagueiro Lúcio arrancou aplausos do público ao dar um ‘lençol’ num atacante adversário. Mas não demorou muito e o defensor brasileiro voltou a mostrar uma de suas especialidades: dar chutões para o alto.
A Suécia ameaçava no contra-ataque e chegou a levar perigo ao goleiro Júlio César pelo menos duas vezes. Numa delas, a partir de um erro do volante Josué, lento e displicente. Num sinal de que o jogo estava chato, a torcida, com maioria de brasileiros, passou a fazer a "ola". A coreografia, mais vistosa que o "espetáculo" em campo, também servia para aplacar o frio na capital inglesa.
Entre os brasileiros nas cadeiras vermelhas do belo estádio do Arsenal, muitos levavam cartazes e faixas com mensagens para o Brasil na esperança de que a TV mostrasse as imagens. Havia também um fã-clube de Alexandre Pato, a cada minuto mais nervoso com a permanência dele entre os reservas.
Expulso em amistoso contra o México, no ano passado, o que lhe custou dois jogos de suspensão, Dunga viu a partida de um setor reservado. Na área técnica ficou o auxiliar Jorginho, agitado toda vez que a Suécia buscava os contra-ataques. Aos 9 minutos do segundo tempo, não só o fã-clube, como boa parte da platéia presente no estádio, pediu Alexandre Pato em campo.
Seis minutos depois, uma explosão de alegria no Emirates Stadium: Alexandre Pato entrava em campo, no lugar de Luís Fabiano. No mesmo instante, uma vaia intensa quase abafava as homenagens ao novo xodó do futebol brasileiro. Era a vez de Anderson entrar na vaga de Júlio Baptista - a bronca é porque o jovem meio-campista atua no Manchester United, o grande rival do Arsenal.
Alexandre Pato foi além das expectativas. Numa saída de bola atrapalhada do goleiro da Suécia, ele conseguiu dominá-la e, sem ângulo, completou por cobertura para o gol vazio. Um golaço que salvou o amistoso e marcou sua estréia de gala na seleção brasileira. Agora, já não era apenas seu fã-clube e mais algumas centenas de vozes a reverenciá-lo. Eram 60 mil pessoas a aplaudi-lo de pé.