Caixa de luz pode ajudar a prevenir depressão no inverno
Uma box light foi o grande sucesso do seminário apresentado pelo Grupo Mulher Brasileira no último dia 26, sobre Saúde da Mulher. A psicóloga Susanne Haskel desenvolveu o tema "Minha tristeza Passa com a Mudança de Estação? Saiba como identificar se o que você está sentindo é mais profundo do que saudades "de casa”. Ela descobriu uma firma localizada em Newton que fabrica e vende a box light – uma caixa de madeira que produz uma luz bem forte quando ligada à tomada e fez uma demonstração durante o seminário.
A caixa de luz usa lâmpadas especiais frias que produzem mais de 1500 kilowats de energia, cuja claridade pretende similar a energia e a luz produzida pelo sol e com isso minimizar os efeitos dos dias curtos durante o inverno. Segundo Susanne, dezembro em Boston tem apenas 8 horas de luz e ainda assim, a claridade é fraca, ao contrário do mês de julho, por exemplo, quando o dia dura aproximadamente 16 horas.
Muitas pessoas são afetadas pela falta de luz e ficam deprimidas. Esta depressão é transitória ou sazonal, porque só aparece nos meses de inverno. A psicóloga disse ainda que a box light deve ser usada por uns 15 a 20 minutos pela manhã, repetindo-se a dose a tarde e que a luz deve entrar pelos olhos para equilibrar o organismo. Ela tem conhecimento de que no Japão, alguns hotéis já usam a caixa de luz como forma de prevenir a tristeza dos hóspedes.
A médica explicou que o nosso corpo vive de acordo com um ritmo cíclico que em inglês é chamado circadian rhythm. É este ritmo que mantém nosso equilíbrio emocional e físico. “Quando dormimos, nosso corpo produz uma substância chamada melatonina, (em inglês, melatonin). Quando esta função natural é interrompida e a melatonina não é produzida porque não dormimos, nosso corpo fica descompensado e isto pode provocar problemas de saúde e a depressão é uma delas”, explica ela.
Como distinguir a depressão passageira da depressão clínica é a qrande questão, frisa a psicóloga. Nos Estados Unidos o problema é tão sério que estima-se que pelo menos 20% da população sofre um episódio de depressão clínica durante sua vida. E a depressão passageira é tão antiga que até Hipócrates fazia referências aos winter blues, ou tristezas de inverno. Susanne diz que apesar das inúmeras pesquisas sobre o assunto, os cientistas e médicos não têm respostas definitivas porque certas pessoas e certas localidades parecem estar mais propensas para os efeitos da falta de luz ou da depressão. Ela alerta, porém, ser importante prestar atenção a sinais. Se uma pessoa está triste porque perdeu um ente querido, por exemplo, é uma coisa normal, mas se esta tristeza se aprofunda e não vai embora depois de uns dois meses, está na hora de procurar um médico.
Ela cita alguns sintomas tais como: mudanças no ciclo do sono, falta de apetite, dificuldade de concentração, apetite sexual exagerado, pensamentos de morte, falta de interesse por qualquer coisa, falta de energia ou hiperatividade, estresse, memória fraca e um exagerado sentimento de culpa. A depressão também é mais comum na mulher, o que os cientistas também não explicam muito e é a mulher também quem procura mais ajuda. Em Massachusetts a tristeza de inverno afeta cerca de 5% da população, enquanto na Flórida, apenas 2% parece sofrer da condição.
Heloisa Maria Galvão
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