Crise dos EUA parece não frear o crescimento do Brasil
Em dia de agenda econômica mais vazia, o mercado financeiro deve ficar atento ao novo pronunciamento do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, e aos balanços trimestrais, que continuam sendo divulgados, confirmando perdas relacionadas à crise imobiliária. Perdas que já não refletem apenas os problemas relacionados especificamente à crise imobiliária, mas também os efeitos da crise sobre a atividade econômica. Mas, o mercado continua demonstrando disposição para uma leitura mais positiva dos diversos indicadores e resultados corporativos.
Os números estão piores, bancos ainda apresentam problemas de liquidez, necessidade de aporte de recursos. No entanto, com as medidas que vêm sendo tomadas para minimizar os efeitos da crise e sanear dificuldades na área financeira, há uma expectativa mais favorável quanto à evolução de médio prazo do atual quadro de incertezas. Ainda pode haver uma piora da crise, especialmente porque os problemas relacionados às hipotecas de alto risco, à inadimplência, não serão estancados com muita rapidez. De fato, podem se arrastar até por anos.
A economia americana pode chegar a uma recessão de fato. Bancos ainda podem ter de ser "socorridos". Porém, na medida em que a crise seja contida a determinados segmentos, sem implicações maiores para a economia mundial e, especialmente, para a China, a tendência é de retomada de um desempenho mais tranqüilo do mercado mundial. E a economia global pode até prosseguir com um bom ritmo de crescimento. Se confirmadas essas previsões mais otimistas, o Brasil pode atravessar a atual fase de crise sem problemas mais sérios, ou conseqüências sobre o ritmo de expansão econômica. Ainda há essa possibilidade, embora não se possa descartar alguns efeitos mais negativos, como as perdas para o mercado financeiro e a piora dos saldos comerciais, que já vem ocorrendo pelas condições domésticas da economia, como o câmbio e tudo o que se refere ao custo Brasil.
Mas, é importante notar que, enquanto o mundo vive um momento de maior incerteza, no Brasil estão sendo revistas, para cima, as projeções de crescimento econômico para 2008. E o Banco Central pode até elevar os juros pra conter um pouco o consumo, que tem sido a grande alavanca deste crescimento e que pode ter implicações sobre o comportamento da inflação. Ou seja: há espaço para a autoridade monetária agir no Brasil, freando o consumo, independentemente da preocupação externa quanto ao risco de um desaquecimento global. Ainda que seja uma ação questionável, a inflação é um indicador importante das condições atuais da economia brasileira. |