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   Colunas . Opinião por Francisco Sampa

09.04.2008 imprimir Imprimir
 

A tentação do continuismo
Por FRANCISCO SAMPA

A manifestação do prefeito de Recife, João Paulo, membro do diretório nacional do PT, em favor de um terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforça a tese do vice-presidente José Alencar e abre um debate, sob todos os aspectos inoportuno, para o país. Uma das características da democracia é justamente a alternância no poder, que uma eventual mudança de regras, a esta altura do jogo, iria colocar sob ameaça, pois significaria um casuísmo incompatível com os avanços institucionais registrados nas últimas décadas. O parâmetro para esse debate intempestivo, portanto, deveria ser uma das manifestações feitas pelo presidente da República ao ser confrontado com a possibilidade, alegando que "não se brinca com a democracia".

Infelizmente, ou as manifestações públicas do presidente de rechaço à possibilidade não têm tido a necessária veemência, ou os partidários da idéia acham que ela se impõe de forma inevitável, além de ser propícia para desviar as atenções sobre questões incômodas para o governo. Uma delas é que, apesar de o presidente da República conseguir exibir hoje índices de aprovação equivalentes ao de quando assumiu o cargo e de a economia passar por uma fase que lembra a do chamado milagre econômico, não há um nome forte no PT para dar continuidade ao projeto atual. Algumas das alternativas, como os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci caíram em desgraça e a ministra Dilma Rousseff se encontra às voltas com a polêmica de um suposto dossiê sobre gastos do governo Fernando Henrique Cardoso.

A particularidade do atual governo estar respaldado pela maioria da população e de, em tese, contar com maioria no Congresso, para aprovar uma emenda constitucional alterando normas da eleição, não o autoriza a buscar esse caminho. O Brasil não pode se submeter a uma mudança de regras cada vez que um grupo político eventualmente no poder considerar a idéia conveniente.

Ainda assim, o prefeito de Recife insiste na tese de que "o terceiro mandato de Lula é o plano A, Dilma é o plano B e o plano C é quem Lula indicar". A insistência na tese deixa evidente que está em curso uma tentativa de quem gravita em torno do poder de se manter nele. A sociedade precisa ficar atenta à essa ameaça.

 
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