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09.04.2008 imprimir Imprimir
 

Pensilvânia pode decidir corrida democrata nos EUA, diz analista

O pré-candidato à Presidência dos EUA Barack Obama será o candidato democrata à Casa Branca caso vença as primárias na Pensilvânia, marcadas para o próximo dia 22. Ainda que sua rival, Hillary Clinton, ganhe as demais votações, ela terá chances remotas de ser a indicada para enfrentar o candidato republicano John McCain. A opinião é de Alexander Kayssar, professor de História e Política Social da Universidade de Harvard (EUA).

"Se Obama vencer as primárias da Pensilvânia a corrida acaba, ele será o candidato democrata. Mas ainda não há um movimento claro entre os superdelegados. Há, sim, muita gente no Partido Democrata pensando que Hillary não pode mais vencer. E, se ela for a nomeada dos democratas no quadro atual, [Obama com mais delegados] os apoiadores do senador ficariam tão descontentes que muitos nem votariam. Há um sentimento pró-Obama entre os líderes do partido, mas eles aguardam o momento certo para se articularem e anunciarem sua decisão", afirmou Kayssar em entrevista dada por telefone.

Especialista em história da democracia e das reformas eleitorais, Keyssar é autor de "O direito de votar: a controversa história da democracia nos Estados Unidos", finalista do Prêmio Pulitzer e eleito o melhor livro dos EUA pela Associação Americana de História.

Na entrevista, o estudioso aborda ainda a questão racial, amplamente discutida durante a corrida. Para ele, a presença de Obama na disputa "criou uma possibilidade de se discutir questões raciais de forma inédita desde 1968 ou 1964, com Lyndon Johnson [então presidente]". "Não se trata apenas de seu famoso [discurso sobre a questão racial, há um diálogo acontecendo, uma discussão pública sobre raça diferente e nova. Em 1968, Bobby [Robert] Kennedy, especialmente após o assassinato de Martin Luther King, era visto como um candidato que tinha muito apelo emocional ente os afro-americanos, porque falava sobre raça. A questão racial é muito importante em todas as eleições americanas, mas não se fala sobre o assunto".

O professor também opina sobre a participação da mídia na disputa eleitoral. "Nas eleições de 2000, ela [a mídia] não foi longe o suficiente para enxergar que Bush seria um conservador compulsivo, e noticiou que ele seria um centrista. Em 2004, em tudo que envolveu a Guerra do Iraque, a mídia teve uma posição patriótica e demorou muito tempo para que os jornalistas começassem a questionar seriamente o que a administração Bush estava fazendo no Iraque. Neste sentido a mídia ajudou Bush a ser reeleito em 2004", diz.
 
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