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12.04.2008 imprimir Imprimir
 

Tia da menina disse que irmão fez coisa errada, dizem testemunhas

São Paulo - "Meu irmão fez uma cagada." Essa é a frase que duas testemunhas disseram à polícia ter escutado de Cristiane Nardoni, irmã do consultor jurídico Alexandre Nardoni, na noite de 29 de março. Pouco antes, Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos, havia sido atirada pela janela do apartamento do pai, no 6º andar do edifício London, na rua Santa Leocádia, Vila Isolina Mazzei, zona norte de São Paulo.

Ouvidas em sigilo no 8º Distrito Policial, as testemunhas são um caixa e um gerente de um bar na zona norte de São Paulo. Os dois contaram que viram Cristiane ansiosa para deixar a casa. Ela estava acompanhada pelo noivo, que pediu ao caixa que se apressasse. A irmã de Nardoni estava chorando. Foi quando ela teria deixado escapar aquela frase. Em entrevista, Cristiane negou que seu irmão tenha dito algo que o comprometesse na ligação.

Diante da repercussão do caso, os dois funcionários procuraram o dono do bar, que os levou até o delegado Roberto Pacheco de Toledo, do 8º DP (Brás). Foi lá que as testemunhas foram ouvidas na quarta-feira (9) pelo delegado Calixto Calil Filho, do 9º DP, responsável pela apuração do crime. Agora, a polícia procura a pessoa que organizou a festa no bar e convidou Cristiane.

Os policiais também pediram à Justiça a quebra do sigilo telefônico de Cristiane. O objetivo é confirmar se ela recebeu um telefonema de seu pai, o advogado Antônio Nardoni, naquela noite. É que a polícia já sabe que ele recebeu um telefonema do filho antes mesmo de Isabella ter sido socorrida. Os investigadores esperam receber a lista das chamadas recebidas pela irmã de Nardoni ainda nesta semana.

Na manhã de quinta-feira (10), os policiais do 9º DP ouviram novamente o depoimento de Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, madrasta de Isabella, na carceragem do 89º DP (Portal do Morumbi), onde ela está detida. Os investigadores estão atrás de um sapato de Anna Carolina ou de Nardoni para comparar com a pegada encontrada no lençol da cama do quarto de onde Isabella foi jogada.

PERÍCIAS - Os peritos do IC já sabem que Anna Carolina trocou de blusa na noite do crime. Quando chegou ao prédio, ela usava blusa preta. Depois do crime, ela usava blusa verde-água. Os policiais encontraram manchas semelhantes a sangue tanto na calça jeans que a madrasta usava como na blusa. Todas as testemunhas são unânimes em dizer que Anna Carolina não se aproximou de Isabella depois da queda. É para confirmar o que disseram as testemunhas que os policiais foram na quarta-feira (9) verificar as imagens da câmera de vídeo do prédio em frente ao edifício London.

Os peritos suspeitam que a blusa foi lavada depois do crime. Uma análise química dos fios do tecido será feita para averiguar essa suspeita. As manchas achadas, ainda segundo os peritos, são compatíveis com o cenário de alguém que carregasse a menina no colo. Sabe-se que o sangue no chão do apartamento é resultado de pingos que caíram de uma altura de pouco mais de um metro.

Os peritos buscam, pelo exame de DNA, comprovar que o suposto sangue encontrado na blusa e na calça é mesmo da madrasta. Eles estão seqüenciando o material genético de Isabella a fim de estabelecer o padrão e poder compará-lo com o padrão das amostras de substâncias semelhantes a sangue recolhidas no apartamento e nas roupas apreendidas.

LAUDO - A expectativa dos peritos e dos médicos-legistas do IML é que até a próxima semana alguns dos laudos estejam prontos. A polícia reluta em fazer qualquer tipo de indiciamento antes de receber os laudos periciais do caso. Um delegado disse na quinta-feira (10) considerar o caso praticamente esclarecido. Para ele, 99% do que aconteceu já foi descoberto. Ele e outros policiais concentram suas suspeitas sobre a madrasta, mas acreditam que o pai também pode ter tido participação no caso.

Oficialmente, a polícia mantém a postura de cautela em relação aos possíveis autores. Os policiais pretendem ouvir novamente os dois depois que os laudos principais estiverem prontos. "Antes é bobagem", disse um delegado. Os policiais ouviram ainda o depoimento de um pedreiro de uma casa vizinha, que negou ter ocorrido arrombamento no lugar.

Anna Carolina e Nardoni tiveram a prisão temporária decretada pelo 2º Tribunal de Júri pelo prazo de 30 dias. Seus advogados dizem que eles são inocentes e entraram com um pedido de habeas-corpus para libertá-los da cadeia.

MÃE - A bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 24 anos, disse na quinta-feira (10) à reportagem que sua filha, Isabella Nardoni, nunca voltou machucada da casa do pai, onde passava os fins de semana a cada 15 dias.

Segundo Ana Carolina, que tem evitado sair de sua casa, na zona norte da cidade, para não conversar com os repórteres que mantêm plantão no local, a menina também nunca relatou nenhuma agressão por parte do pai ou da madrasta. A bancária, no entanto, não quer emitir juízos de valor sobre a investigação da morte de sua filha.

Em sua primeira declaração após o assassinato da filha, Ana Carolina afirmou não saber "aonde isso vai chegar", referindo-se à investigação policial, que começava a fechar o cerco no casal. Em depoimento no 9º DP, ela falou sobre o relacionamento amoroso com Nardoni e sobre a convivência com ele e a madrasta, por causa de Isabella.

O depoimento contribuiu para formar o perfil dos suspeitos e pesou para o pedido de prisão do casal - de acordo com o promotor Francisco Cembranelli, a palavra ciúme foi citada várias vezes no inquérito; ele não esclareceu, no entanto, em quais circunstâncias isso ocorreu. Cembranelli também afirmou que há um boletim de ocorrência feito pela mãe de Isabella contra Nardoni por ameaça de agressão, e que isso foi anexado na investigação policial.

 
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