Reitor da UnB se afastará por 60 dias; Haddad apóia decisão
Brasília - Acusado de improbidade administrativa e pressionado por alunos que exigem sua saída, o reitor da Universidade de Brasília (UnB), Thimothy Mulholland, pediu na quinta-feira (10) afastamento do cargo por 60 dias. Em nota divulgada pela manhã, ele afirmou que a decisão foi adotada para dar maior transparência às investigações. Na carta, ele indica que o vice, Edgar Mamyia, deve assumir o posto. Os alunos, que não aceitam o afastamento temporário, receberam um reforço. Em assembléia realizada na quinta-feira (10), professores pediram a saída definitiva do reitor, de seu vice e dos decanos da universidade.
Ação movida pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal e pelo Ministério Público do Distrito Federal acusa o reitor de usar recursos reservados para o financiamento de projetos e desenvolvimento para decorar seu apartamento funcional. Segundo o MP, cerca de R$ 470 mil foram gastos para mobiliar e decorar o imóvel. Outros R$ 72 mil foram usados para comprar um automóvel. O reitor, de acordo com as investigações, teria participado de reuniões com os arquitetos que decoraram o imóvel.
Há oito dias, estudantes invadiram o prédio da reitoria, exigindo a saída de Mulholland e de seu vice. No início do movimento, porém, o reitor garantia que não deixaria o cargo. "Entrei na forma da lei e vou sair pela lei", dizia. Ele recusava também a hipótese de se afastar o cargo. Na ocasião, argumentou que esse procedimento não estava previsto em lei. Em busca de apoio, o reitor chegou a procurar o ministro da Educação, Fernando Haddad. Disse que tinha direito a defesa. Ao longo da semana, porém, o apoio de parcela de professores foi retirado e sua manutenção no cargo ficou insustentável.
A carta de Mulholland foi lida durante a assembléia dos professores e desencadeou uma grande comemoração de estudantes. Eles, porém, afirmam que a ocupação da reitoria vai continuar. "É preciso mudar totalmente a direção da universidade. Mamyia representa o mesmo grupo de Mulholland", afirmou o estudante de Artes Plásticas, Felipe Marques.
Segunda-feira (14), uma nova assembléia de estudantes será feita para discutir formas de permitir o acesso de funcionários ao prédio. Na quinta-feira (10), o procurador federal em exercício na UnB, Carlos Paz, foi até o prédio pegar processos - trabalhistas, administrativos. Entrou sem problemas.
O Conselho Universitário deverá se reunir amanhã (11) para decidir se apóia o afastamento de todo o comando da Universidade, como foi proposto na quinta-feira (10) durante a assembléia dos professores.
HADDAD - O ministro da Educação considerou "acertada" a decisão de Mulholland de se afastar da direção da instituição. Haddad, no entanto, demonstrou preocupação com a decisão dos estudantes de permaneceram na reitoria pelo menos até segunda-feira (14). "Foi uma decisão acertada (do reitor)", afirmou Haddad. "Espero que os estudantes compreendam o gesto do reitor, que se afastou. É uma primeira aproximação que deve ser respondida por uma aproximação dos estudantes. Se não houver concessões mútuas, a solução fica mais difícil".
Haddad descartou a intervenção na instituição, mas revelou que o Ministério vem conversando com o conselho de docentes. De acordo com o ministro, já havia parlamentares, pessoas do Ministério e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) conversando com Mulholland - inclusive pedindo a ele que se afastasse. |