O ''dia da verdade'' no caso Isabella Nardoni
SÃO PAULO — Os delegados que investigam o caso Isabella Nardoni, 5 anos, receberam ontem do Instituto de Criminalística (IC) os laudos finais das oito perícias feitas no palco do crime que intriga o país há 20 dias. Com o depoimento de Alexandre Nardoni, 29, e Anna Carolina Jatobá, 24, os policiais pretendem esclarecer com detalhes o que ocorreu no apartamento 63 do Edifício London, na noite do sábado 29 de março.
Pelo resultado final dos laudos, não houve uma terceira pessoa na cena do crime. Os peritos concluíram que Isabella teria recebido um golpe na testa com um objeto pontiagudo, como a chave de um carro. Em seguida, ela teria sido esganada e chacoalhada, causando uma parada cardiorrespiratória. O golpe na testa explicaria as gotas de sangue da menina pelo chão da sala e do quarto. Ao individualizar o crime, os peritos sugerem que os golpes teriam sido desferidos pela madrasta da garota. Uma fralda teria sido usada para limpar o sangue no rosto da menina, que estava desmaiada. Os laudos apontam ainda que Alexandre teria cortado a tela de proteção para jogar a filha pela janela, como indicam fragmentos de náilon nas roupas que ele usava.
A pegada que estava no lençol da cama perto da janela por onde Isabella foi arremessada, segundo os peritos, é compatível com a sandália que o pai de Isabella usava quando estava em um supermercado, cerca de cinco horas antes do crime. Para chegar a essa conclusão, foram avaliados 40 pares de sapatos do casal. O laudo conclui ainda que todas as manchas de sangue encontradas no apartamento são da garota.
A perícia acredita também que Alexandre teria usado uma toalha para carregar Isabella até a janela. Em seguida, ele a teria erguido pelos braços, a soltando em seguida do sexto andar. Com base num cálculo feito com a altura (1,45m) e com o peso (21kg) da garota, os peritos afirmam que Isabella levou dois segundos para atingir o chão, onde chegou a uma velocidade de 72km/h. A queda, segundo o laudo, provocou deslocamento de todas as costelas e fratura da bacia, além de traumas no fígado e no estômago.
Alexandre Nardoni é indiciado pela morte da filha
Com todos os dados colhidos pela perícia, e após ouvir os depoimentos, a Polícia Civil indiciou Alexandre Nardoni no inquérito de investiga o assassinato de Isabella Nardoni, 5 anos. Anna Carolina Jatobá também será indiciada após o fim do seu depoimento.
Pai e madrasta de Isabella foram indiciados pelo artigo 121 do Código Penal, referente a homicídio.
O casal prestou depoimento durante todo o dia no 9º Distrito Policial, na Zona Norte de São Paulo. Alexandre e Anna Carolina foram ouvidos em salas separadas.
Os depoimentos foram confrontados com os laudos do Instituto Médico Legal (IML) que indicam que a garota foi asfixiada antes de ser jogada do 6º andar do Edifício London na noite do dia 29 de março.
Vestígios de sangue foram encontrados em uma fralda e em uma toalha que estavam no varal do apartamento de onde Isabella foi morta. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, a perícia avalia a hipótese de a garota ter deixado o irmão pequeno cair, o que teria levado a madrasta a reagir agressivamente.
Os peritos do IC (Instituto de Criminalística) e delegados do 9º DP (Carandiru) que trabalham no caso tentam descobrir, por meio de exame de DNA, se as manchas correspondem ao sangue da menina Isabella. Como as peças foram lavadas, os peritos do IC (Instituto de Criminalística) acreditam que elas foram usadas para lavar o rosto da menina, segundo o jornal. |