Bomba deixa sete policiais feridos no norte da Espanha
Bilbao - Uma bomba explodiu na quinta-feira em Bilbao, no norte da Espanha, e deixou sete policias feridos. O atentado ocorreu após um telefonema de advertência realizado em nome do grupo separatista basco ETA. Janelas foram quebradas e carros danificados, informaram policiais.
O ataque, ocorrido às 6 horas da manhã (hora local), tinha como alvo um escritório do Partido Socialista, atualmente no poder. A explosão ocorreu em La Peña, distrito de Bilbao, principal cidade da região basca.
Um homem, afirmando falar em nome do ETA, telefonou para o departamento de tráfego regional. Ele avisou que a explosão ocorreria meia hora depois, o que se confirmou.
Sete policiais que estavam ajudando a retirar as pessoas da área e isolá-la ficaram levemente feridos. As informações são de um policial, que falou sob condição de anonimato.
A explosão causou um grande estrago no escritório do partido, em apartamentos e em carros em La Peña. Muitos operários vivem na região em que ocorreu o ataque.
"A explosão foi ensurdecedora. Eu vivo em um dos prédios (atingidos) e todos estamos com muito medo", disse Rosa Zunzunegi, uma aposentada de 68 anos. "Nós somos trabalhadores. Por que o ETA nos ataca com bombas? Eles são desprezíveis."
"Nós tivemos que retirar idosos, crianças, pessoas que estavam em suas casas dormindo naquela hora", explicou o chefe do departamento de Interior basco, Javier Balza, à rádio Cadena SER "As residências estão muito danificadas. No fim, é o povo que sofre com a loucura dos terroristas."
O ETA é um dos principais desafios para o presidente José Luis Rodríguez Zapatero, que inicia seu segundo mandato. O grupo já matou 825 pessoas desde o fim dos anos 1960, em sua campanha pela independência da região basca no norte da Espanha e sudoeste da França.
O grupo declarou um cessar-fogo unilateral em março de 2006. Mas voltou a praticar atentados após não conseguir concessões de mais independência do governo de Zapatero.
O ETA encerrou o cessar-fogo em dezembro de 2006, com um grande atentado com um carro-bomba, no qual duas pessoas morreram, em Madri. Realizou mais de dez explosões que não deixaram vítimas fatais desde então, além de matar dois policiais espanhóis no sul da França e um ex-vereador na região basca às vésperas da eleição de 9 de março. Nesta, Zapatero foi reconduzido à presidência.
Segundo o Ministério do Interior, a Espanha está esperando um "longo ciclo" de violência dos separatistas. Zapatero pediu aos oposicionistas conservadores que o ajudem a formar uma frente unida contra o grupo. Os oposicionistas pediram, primeiro, garantias de que o presidente não voltará a negociar com o ETA.