Entrevista de pai e madrasta na TV nada muda no caso, diz promotor
São Paulo - A única novidade da entrevista que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá concederam na segunda-feira ao Fantástico foi, na opinião do promotor Francisco Cembranelli, "a emotividade, não observada quando interrogados pelas autoridades policiais". Nos depoimentos, Anna Carolina pouco se emocionou e Nardoni chorou ao ver fotos da filha desde a infância até o laudo necroscópico.
Em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", o promotor disse que nada muda no caso com a entrevista, já que o casal repetiu a versão da negativa de autoria e comentou apenas informações periféricas, mal falando sobre o crime. Cembranelli afirmou que "eles não responderam o que a população gostaria de saber", referindo-se à indagação de como justificariam a presença de sangue no carro. A resposta foi, assim como nos interrogatórios, "não sei".
Alexandre e Anna Carolina disseram, entre outras coisas, que o relacionamento da família era harmonioso, que nunca encostaram um dedo na menina, que o sonho de Isabella era morar com eles e que são "totalmente inocentes".
A escritora Ilana Casoy, especialista na elaboração de perfis criminais, notou que os dois "estavam constrangidos", mas foram "corajosos" ao tentar reverter o prejulgamento feito pela opinião pública. No entanto, ela criticou a exposição exacerbada do caso. "Isso não é plebiscito. O caso será decidido no Tribunal do Júri, se eles forem pronunciados."
Para o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, a entrevista legitima o julgamento do casal pelo povo. "O público tem o direito de saber das coisas, mas há que se respeitar o sistema de Justiça. Acredito que o réu deve falar apenas para a Justiça", afirmou. "Nossa Justiça tem um sistema de freios. É ele que pune, mas, por outro lado, é ele que segura a execração pública, os linchamentos e a justiça com as próprias mãos", afirmou. Para o advogado, que não viu a entrevista, ao dar satisfações ao povo pela TV, o casal autoriza que as pessoas os julguem e decidam seu destino.
O jurista Tales Castelo Branco acredita que as declarações de Nardoni e Anna Carolina "não alterarão absolutamente nada" na cabeça das pessoas. "Quem é contra vai continuar sendo contra, quem é mais racional e espera uma apuração mais criteriosa vai continuar assim", analisou. Segundo ele, é possível apenas que a entrevista aumente o rancor de quem já os prejulgou e condenou. |