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26.04.2008 imprimir Imprimir
 

Empresa anuncia criação de filtros no Orkut contra pedofilia

Brasília - Numa iniciativa inédita no País, o maior site de busca na internet do mundo, o Google, entregou quinta-feira para investigação do Ministério Público e da Polícia Federal - por intermédio da CPI das Pedofilia - dados de 3.261 páginas privadas do site de relacionamentos Orkut, suspeitas de conter material de estímulo e divulgação de pedofilia. Depois da entrega ao presidente da comissão, senador Magno Malta (PR-ES), o diretor de comunicação da empresa Google, Félix Ximenes, anunciou a criação de filtros no Orkut para impedir a divulgação de fotos e textos suspeitos. Segundo ele, a nova ferramenta contará com mecanismos semelhante aos já usados para reprimir a veiculação de pirataria pela rede. A tecnologia, disse ele, dará mais rapidez na pesquisa de dados e fotos, facilitando identificação de arquivos com imagens de vítimas de pedofilia.

Além do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), do procurador da República, Sérgio Suiama, e de outras autoridades, o ato levou à comissão senadores raramente presentes nos depoimentos, iniciados no último dia 25. Garibaldi anunciou que dará prioridade às propostas destinadas a reprimir a pedofilia. "A CPI terá uma responsabilidade ainda maior agora", afirmou. "Daí porque o Senado dará prioridade absoluta à matéria, para que nos vejamos livres desse crime, dessa ameaça que tanto intranqüiliza o nosso povo e a nossa sociedade."

O procurador Suiama lembrou que inúmeras vezes a Google se recusou em fornecer informações solicitadas pelo Ministério Público, o que inviabilizava apurações em curso contra pedófilos, alguns deles procurados internacionalmente. "Espero que esse não seja um ato isolado, mas o início de um fluxo permanente de informações", defendeu.

Otimista, o relator da CPI, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), previu que o entendimento com a Google "será um porrete na cabeça dos pedófilos". Segundo ele, os primeiros dados podem ajudar o Ministério Público e a Polícia Federal a identificar, de imediato, "até 200 pedófilos que utilizam a internet para o aliciamento de menores".

De acordo com o representante da ONG SaferNet, Thiago Tavares de Oliveira, os 3.261 perfis denunciados que tiveram sigilo quebrados pela CPI foram identificados pelas denúncias recebidas pela entidade em apenas três meses. Ele alertou para a existência de muitos outros casos e reiterou o pedido para que os internautas continuem a denunciar o que chamou de "uso criminoso da internet".

Amanhã, o senador Magno Malta e outros integrantes da comissão irão à Ilha de Marajó (PA) para ouvir denúncias do bispo d. José Luiz Azcona Hermoso e de outros religiosos sobre exploração sexual e prática de pedofilia, com o envolvimento de autoridades da região. Os religiosos têm sido ameaçados de morte por denunciarem o fato. Na sexta, a CPI completa um mês de atividade. No período, foram ouvidas procuradores, promotores, policiais e outras autoridades envolvidas no combate à pedofilia Nos próximos dias, serão ouvidas pessoas suspeitas de ligação com o crime.

 
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