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   Notícias dos Estados Unidos

26.04.2008 imprimir Imprimir
 

Crise dos alimentos chega aos Estados Unidos com aumento de preços

O aumento global nos preços da comida fez com que os Estados Unidos experimentem a pior inflação de alimentos em quase duas décadas e levou algumas grandes redes a restringirem a venda de produtos como o arroz.

Esta decisão tomada esta semana por Wal-Mart e Costco é o primeiro sinal palpável do impacto do encarecimento dos alimentos neste país.

A Wal-Mart aplicará o "racionamento" nas 593 lojas Sam's Club - das quais é necessário ser sócio para comprar - limitará a venda de pacotes de nove quilos de arroz branco para quatro por cliente por dia como resposta para as tendências "da oferta e da demanda".

A empresa não explicou se a iniciativa incomum é fruto de uma escassez dos estoques ou uma resposta à crescente acumulação de arroz pelos clientes, entre eles restaurantes, que poderiam estar formando estoques para fugirem de um possível aumento de preços.

Costco, outra rede de venda em grandes quantidades com 534 lojas ao redor do mundo, limitou a venda de pacotes de arroz a dois por cliente em algumas de suas lojas nos EUA.

"Não acho que seja um problema de escassez, mas um aumento das compras pelos consumidores que acham que seja sim e que temem que os preços continuem aumentando", comentou o economista-chefe do Departamento de Agricultura dos EUA, Joseph Glauber, à Agência Efe.

David Coia, porta-voz da Federação de Arrozeiros dos EUA, disse também que não há problemas de abastecimento.

O Departamento de Agricultura calcula que a produção de arroz nos EUA pode alcançar os 8,3 milhões de toneladas este ano, um nível que se manteve estável durante os últimos sete anos.

A produção de arroz americana representa apenas entre 1,5% e 2% do total mundial, mas o país é o quarto maior exportador global, depois de Tailândia, Vietnã e Índia.

A metade da produção se destinou tradicionalmente à exportação, pois o consumo doméstico não é suficientemente alto, mas se a demanda interna começa a aumentar esta percentagem pode diminuir e contribuir para agravar a atual crise.

Os especialistas afirmam que a raiz do problema do arroz está na crescente demanda nos países em desenvolvimento, assim como nas pobres colheitas em algumas nações produtoras, o que encareceu os preços em 70% em 2008.

Na última quinta-feira mesmo os preços do arroz na Tailândia, o principal exportador mundial, alcançaram um recorde de US$ 1.000 por tonelada, que chega após as proibições temporárias sobre as exportações impostas por países como Índia, Vietnã e Brasil.

Estes e outros limites às exportações de diferentes produtos contribuíram para distorcer o mercado global dos alimentos.

O aumento nos preços do arroz, que se junta a uma escalada no custo dos alimentos básicos, 48% mais caros agora que no final de 2006, promete agravar a inflação de alimentos nos EUA, que já é a maior desde 1990, ao aumentar a um ritmo anual de 5%.

Glauber, o economista do Departamento de Agricultura, acredita que as novas colheitas ao redor do mundo reduzem a volatilidade e a insegurança alimentar que milhões de pessoas enfrentam e que provocaram protestos violentos em países como o Egito e o Haiti.

Apesar dos contratos de futuros do arroz alcançarem ontem máximas nos EUA, os contratos sobre grãos caíram 4%, para o nível mais baixo dos últimos cinco meses, diante das previsões de boas colheitas em 2008.

As plantações evoluem bem na Austrália, um importante produtor, graças às chuvas.

A Índia, por outro lado, disse que não terá que importar grãos este ano, graças às colheitas recordes e as grandes reservas.

A agência oficial chinesa "Xinhua" informou recentemente que as províncias produtoras de trigo de Henan e Shandong esperam também que 2008 seja um bom ano de colheitas.

 
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