Polícia deve encaminhar amanhã inquérito sobre morte de Isabella
São Paulo - A Polícia Civil planeja encaminhar amanhã à Justiça o inquérito número 301/08, sobre a morte de Isabella Nardoni. No relatório, os delegados Calixto Calil Filho e Renata Helena da Silva Pontes, do 9º Distrito Policial, devem incluir o pedido de prisão preventiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, indiciados no dia 18 por homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, uso de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima).
Nos últimos 30 dias, investigadores ouviram mais de 65 pessoas, incluindo o casal, parentes, amigos e testemunhas. Mas são nas 83 páginas do laudo final elaborado pelo Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do Instituto de Criminalística (IC) que estão as principais provas contra os acusados. A reportagem teve acesso na segunda-feira à íntegra do documento que colocou Nardoni na cena do crime. Além de confirmar a tese da acusação, fotos anexadas dão idéia do calvário a que Isabella foi submetida.
Na folha 31, por exemplo, peritos apontam as manchas de sangue no corredor e no batente da porta do quarto dos irmãos. Os vestígios se concentram na altura da maçaneta, sinal de que a garota pode ter sido sacudida com violência. No local, o IC detectou digitais moldadas em sangue semelhantes a dedos de uma "pequenina mão".
No lençol do quarto dos meninos também foram encontrados sinais de sangue de uma mão infantil. Como a origem é controversa, os peritos preferiram não atribuí-la a ninguém. A suspeita, porém, é de que se trata da mão de Pietro, de 3 anos, filho do casal. "Os legistas não encontraram sangue nas mãos da vítima e não havia sinais de que tinham sido limpas antes de ela ter sido jogada", disse um perito.
Na segunda-feira, a polícia apresentou as chaves do apartamento e do Ka de Alexandre, apreendidas no início das investigações. Há a suspeita de que uma das chaves teria sido usada para ferir a testa de Isabella dentro do carro. Os peritos simularam a agressão com a chave tetra do apartamento e concluíram que o ferimento é compatível.
Na época da morte, a defesa afirmou que Anna havia perdido a chave do apartamento dias antes do crime - reforçando a tese de que alguém havia achado o objeto e entrado no imóvel. O objeto que feriu Isabella não foi encontrado. A chave apresentada na segunda-feira era a cópia que a família fez após a suposta perda.
Rogério Neres de Sousa, um dos advogados do casal, afirmou na segunda-feira que os indiciados continuam na casa dos pais de Anna. A defesa ainda não definiu se vai pedir habeas-corpus preventivo para evitar a possível prisão do casal. Sobre a representação, na Corregedoria da Polícia Civil, contra a investigação policial, disse que a defesa ainda não desistiu. "Isso está sendo estudado", disse.
Interesse - A pesquisa CNT/Sensus divulgada na segunda-feira mostra que o caso Isabella desperta mais interesse da população do que as investigações da CPI dos Cartões Corporativos, segundo a pesquisa. Na sondagem, 98,2% dos entrevistados disseram que têm acompanhado ou ouviram falar do crime, enquanto 57,9% falaram o mesmo sobre a CPI.