Pelo menos 70 mortos e centenas de feridos em descarrilamento na China
Pequim - Pelo menos 70 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas na colisão de dois trens de passageiros no leste da China, no mais grave acidente do tipo desde 1997. Das centenas de pessoas levadas a hospitais, 70 estão em situação crítica, o que pode elevar ainda mais o número de mortes.
O acidente foi provocado pelo descarrilamento de um trem de alta velocidade que ia de Pequim para Qingdao, cidade litorânea que vai sediar as provas de iatismo dos Jogos Olimpícos, em agosto. O trem se chocou às 4h43 com outro que vinha em sentido contrário, do balneário de Yantai para a cidade de Xuzhou.
Este é o segundo acidente do ano com trens de alta velocidade na província de Shandong, que fica ao sul de Pequim. Em janeiro, outro trem descarrilou e atingiu um grupo de cem operários que faziam a manutenção da linha, provocando a morte de 18 deles. Em 1997, o choque entre dois trens na província de Hunan deixou 126 mortos.
O novo acidente ocorreu a poucos dias do feriado de 1º de maio, durante o qual milhões de chineses deverão viajar. Trens são o mais popular meio de transporte da China, que responde por 25% do tráfego ferroviário do mundo com apenas 6% das linhas existentes. No ano passado, o sistema chinês transportou 1,36 bilhão de passageiros, pouco abaixo do 1,4 bilhão registrado na Índia.
A imprensa oficial demorou para divulgar o acidente. No fim da manhã, os principais sites de notícia ainda não traziam a informação e o primeiro registro só apareceu no China Daily, publicado em inglês, no horário do almoço.
Na TV, o acidente foi tratado com extrema parcimônia, mesmo nos canais a cabo dedicados exclusivamente a notícias. Na noite de segunda-feira, a notícia do choque de trens não estava entre as principais dos sites noticiosos do país.
As imagens do local do acidente mostravam dez vagões do trem que descarrilou tombados em uma área de terra. Equipes de resgate trabalharam durante todo o dia para retirar mortos e feridos dos escombros. Entre os feridos, há quatro franceses que sofreram fraturas e uma criança chinesa de três anos de idade.
As autoridades de Pequim descartaram a possibilidade de atos terrorismo ou sabotagem terem provocado o choque. De acordo com uma investigação preliminar, o acidente teria sido causado por falha humana.
Pouco antes da colisão, o trem estaria a uma velocidade de 131 km/h, acima do limite de 80 km/h permitido para o trecho onde houve o descarrilamento, segundo a imprensa oficial.
Dois diretores do Ministério das Ferrovias na província de Shandong foram afastados e colocados sob investigação.
Com 76 mil quilômetros de extensão, a malha ferroviária da China é a segunda maior do mundo, inferior apenas à da Rússia. Nos últimos anos, o país elevou a velocidade de seus trens em seis ocasiões. A última delas, em abril de 2007, quando 6.000 km de linhas passaram a ter uma velocidade de até 200 km/h.
Centenas de operários trabalharam no dia seguinte para restaurar a ferrovia, que o governo espera reabrir até as 8h de amanhã, no horário local.