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07.05.2008 imprimir Imprimir
 

Lula diz em entrevista na TV que aumento dos combustíveis não vai alimentar a inflação

Durante a entrevista concedida na noite da segunda-feira (5), no Palácio do Planalto, ao jornalista Heródoto Barbeiro e exibida pela TV Cultura de São Paulo no Jornal da Cultura, o presidente Luís Inácio Lula da Silva falou sobre os principais temas que repercutem no país, como a obtenção do grau de investimento, o reajuste de preços dos combustíveis, que, segundo ele, não vai alimentar a inflação, o PAC (Programa de Aceleração de Crescimento); os gastos do governo; a greve dos servidores públicos; a política industrial para o Brasil, que será lançada no dia 12; e a aliança entre o PT e PSDB para a prefeitura de Belo Horizonte (MG). A seguir, a íntegra da entrevista, conforme transcrição fornecida pela TV Cultura.

Heródoto: Presidente Lula, muito obrigado pela entrevista aqui para a TV Cultura.

Lula: Heródoto, você sabe que é um prazer conversar com você, com a Cultura. Você sabe que a TV Cultura tem muito a ver com a minha vida política. A primeira entrevista que eu dei na vida foi para a TV Cultura. Não consegui dar a entrevista em pé porque começou a tremer as pernas, fui obrigado a sentar. E depois eu acho que o programa mais importante que eu participei na TV Cultura foi o "Vox Populi", em 78. Eu acho que foi um programa que marcou a minha vida, como entrevistado, e, sobretudo, porque a gente vivia um momento de ouro do movimento sindical com as greves no ABC. Portanto, eu me sinto em casa dando entrevista para a Cultura.

Heródoto: Presidente, o governo também anunciou recentemente aumento do preço da gasolina e do óleo diesel. Esse realmente vai, realmente, se efetivar ou o governo pode voltar atrás temendo que isso possa alimentar a inflação brasileira?

Lula: Não, não vai alimentar a inflação porque nós fizemos um jogo combinado, ou seja, na medida em que nós fizemos o reajuste da gasolina e o reajuste do óleo diesel para a Petrobrás, ao mesmo tempo nós reduzimos a alíquota da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para permitir que o aumento não chegasse ao consumidor. Portanto, quando você for a um posto de gasolina e eu assinei a medida provisória na sexta-feira, quando você for num posto de gasolina, que você for encher o seu tanque, o preço da gasolina tem que estar o mesmo, não pode ter aumentado, porque nós, na verdade, fizemos uma combinação com a CIDE para que o povo não sofresse o aumento, e para que não tivesse incidência sobre a inflação.

Heródoto: Presidente, o preço do álcool, já que nós estamos falando de combustíveis, flutua dependendo da produção, da gasolina está estável. Isso quer dizer que os preços da gasolina e do diesel são preços políticos?

Lula: Não, pelo contrário. Veja, nós trabalhamos com uma margem, eu diria, sábia, por conta da Petrobrás. Porque a verdade é que o custo da gasolina que nós produzimos no Brasil não é a totalidade do custo do petróleo internacional. Porque a verdade é que o petróleo internacional está 114, 120 dólares o barril, mas o custo nosso aqui dentro do Brasil para produzir a parte que nós extraímos não custa esse mesmo preço. Portanto, nós fizemos o reajuste no momento certo, na hora certa, e não tem nada de político. Tem, sabe, a gasolina e a Petrobrás têm que contribuir com a inflação, não é só os outros setores da economia, e nós achamos que está de bom tamanho esse preço, a Petrobrás não é uma empresa qualquer, é uma empresa muito grande e nós fizemos o reajuste porque entendíamos que era o momento de fazer o reajuste.

Heródoto: Presidente, o senhor tocou agora a pouco na questão do déficit das contas correntes do país. O que o governo vai fazer para impedir que esse déficit possa acumular até o final do ano, como prevê aí alguns analistas econômicos?

Lula: Estamos trabalhando. Estamos trabalhando, Heródoto. Eu tenho feito sistematicamente reuniões com o ministro Guido (Mantega), com o presidente do Banco Central, com o ministro do Planejamento. Está dentro disso a idéia de lançar a política industrial com forte incentivo s nossas exportações. O Brasil precisa se transformar, sabe, numa plataforma de exportações de vários produtos que nós fabricamos, não apenas commodities, mas, sabe, de carros, de telefone celular, de software, ou seja, por isso é que nós vamos lançar a política industrial, para ver se ela contribui para a gente exportar muito mais e fomentar e incentivar os nossos exportadores.

Heródoto: Presidente, obrigado pela entrevista. Lula: Obrigado a você. Pensei que você ia fazer alguma pergunta sobre o Corinthians, não fez nenhuma, nem parece mais corintiano.

Heródoto: Eu não vou fazer pergunta porque nós vamos passar para a segunda fase do campeonato do Brasil agora, Copa do Brasil. Obrigado.

Lula: Obrigado a você, Heródoto.

 
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