Polícia indicia kuwaitiano que manteve brasileiros reféns
Varsóvia - Autoridades policiais indiciaram ontem o filho do embaixador do Kuwait por manter como reféns três adolescentes brasileiros. O kuwaitiano chegou a afirmar que tinha uma bomba na segunda-feira.
O filho do embaixador Khaled Al-Shaibani, identificado apenas como Mohammad A., foi indiciado por manter os adolescentes judeus contra a vontade deles, informou Anna Kedzierzowska, porta-voz da polícia de Varsóvia.
Segundo Anna, o suspeito confessou o delito e, em caso de condenação, estará sujeito a pena que varia de dez meses a três anos de prisão - porém não seria detido, mas ficaria em liberdade condicional. O homem, de 23 anos, seria solto após audiência.
A Embaixada do Kuwait na Polônia confirmou que o suspeito era o filho do embaixador, mas não emitiu nenhuma declaração adicional
Na segunda-feira, um alterado Mohammed A. prendeu os três brasileiros, de 16 anos, no quarto em que estavam, no sexto andar do hotel Holliday Inn de Varsóvia, pouco depois das 9h locais. Testemunhas avisaram os guardas do hotel, que chamaram a polícia quando o kuwaitiano avisou que tinha explosivos.
Policiais invadiram o quarto pouco antes das 10h e prenderam Mohammad A., sem problemas. Nenhum dos brasileiros ficou ferido e não foram encontrados explosivos.
O homem estava muito alterado para ser ouvido na segunda-feira, segundo a polícia. Ele deu sua versão sobre o caso na manhã de ontem.
Os três cariocas estavam entre as 10 mil pessoas do mundo todo, a maioria judeus, que foram à Polônia para participar da Marcha da Vida - evento anual no antigo campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, que lembra os cerca de 6 milhões de judeus vítimas do Holocausto.
Pelo menos 1,1 milhão de pessoas morreram nessa região, nas câmaras de gás ou por causa da fome, de doenças e da exaustão causada pelo trabalho forçado. O complexo foi liberado em janeiro de 1945 por tropas soviéticas. |