Madri propõe seguro desemprego para estrangeiros deixarem o país
Genebra - A desaceleração da economia européia já afeta os imigrantes; só na Espanha, 52 mil estrangeiros perderam seus trabalhos em um ano. Agora, o governo espanhol irá propor pagar um seguro desemprego para que os estrangeiros desempregados, inclusive os brasileiros, deixem o país e retornem aos seus locais de origem. Madri ainda negocia com França e Inglaterra um novo acordo de imigração, que deverá dificultar a entrada de novos estrangeiros no mercado da União Européia.
Nos últimos dez anos, o número de imigrantes que entrou no mercado europeu cresceu significativamente. Hoje, eles já são cerca de 8 milhões e representam 10% do PIB da região. Mas o boom da construção na Espanha, na Irlanda e em outros mercados acabou e muitos estrangeiros que estavam com sua situação regularizada se vêem sem trabalho.
O que Madri quer propor é que esses imigrantes legais retornem a seus países e continuem recebendo o seguro desemprego O objetivo seria desafogar o mercado de trabalho. Em dezembro, 40% dos desempregados na Espanha eram de fora do país. Em alguns casos, o seguro chega a 900 euros, valor que o governo espanhol acredita que não seria desprezível em países como Brasil, Equador ou Bolívia.
Desde 2003, o governo espanhol já pagava o bilhete de avião a quem quisesse retornar. Cerca de 3,7 mil pessoas aderiram ao programa. Agora, o dinheiro do seguro seria proporcional aos meses trabalhados. Outra proposta seria a criação de um microcrédito para financiar a volta do estrangeiro a seu país.
Em fevereiro, Espanha e Brasil viveram uma crise diplomática diante das recusas repetidas de Madri de aceitar a entrada de brasileiros em seu território. O tema deve fazer parte da pauta da cúpula Europa-América Latina que ocorre no dia 15 de maio em Lima, no Peru.
Os latino-americanos irão pedir aos europeus para que os imigrantes sejam tratados com dignidade. Mas nas capitais européias, um novo plano começa a ser montado para dificultar ainda mais o fluxo de pessoas. A França assume em julho a presidência da UE, e Paris já vem manobrando com outros governos um acordo para controlar de forma mais eficiente a entrada de pessoas no bloco de 27 países. |