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14.05.2008 imprimir Imprimir
 

Para Lula, é hora de consolidar a vitória sobre anos de incertezas

Rio - Ao anunciar a nova política industrial na segunda, no Rio, diante de uma platéia que reunia dez governadores e onze ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso otimista. Disse que chegou o momento de "consolidar a vitória do Brasil sobre 25 anos de incertezas, de crescimento volátil e baixo, de marasmo e apatia".

Lula pregou a mobilização "de todas as nossas energias" para o bom funcionamento da Política de Desenvolvimento Produtivo, nome da nova política industrial. Ele disse que chegou o "momento da virada". "Atravessamos o deserto da estagnação", disse. "A terra fértil já está à vista e só depende de nós alcançá-la e conquistá-la."

Na maior parte da cerimônia, Lula ficou ao lado do presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), que tem sistematicamente criticado a edição de medidas provisórias (MPs) pelo governo. E, justamente tentando evitar novos problemas, já que havia prometido reduzir a edição de MPs, o presidente usou seu discurso para pedir apoio e compreensão dos parlamentares para aprovar rapidamente as medidas do pacote industrial. "Se não, elas não entrarão em vigor rapidamente e nós poderemos ter um retrocesso, um atraso na política que estamos fazendo aqui", alertou.

O presidente disse que era importante a presença dos governadores naquele evento ao salientar que essa era uma política para mais 30 anos, sugerindo que alguns deles poderiam sucedê-lo. Entre eles estavam os tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais). "Este não é um programa do governo do presidente Lula ou um programa para demorar três anos; tem metas para 10, 15 ou 20 anos", declarou. "É um programa para muitos anos e, portanto, tem que ter seqüência, continuidade."

Lula pediu a aprovação da política industrial com a mesma rapidez com que foi aprovado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Etanol - Usando, pela primeira vez, um teleprompter com dois visores, por onde lia o texto, Lula voltou a atacar os que criticam os biocombustíveis brasileiros e lembrou que o meio ambiente entrou com força na agenda internacional dos países. "Para o Brasil, trata-se de uma extraordinária oportunidade", reiterou ele, ao citar que o País tem enfrentado "preconceitos arraigados e lobbies poderosíssimos nos países desenvolvidos".

Em seguida, ele convocou todos os brasileiros, sem distinção, para essa batalha, dizendo-se seguro de que será vitoriosa. "Os lobbies, por mais poderosos que sejam, não serão capazes de deter os biocombustíveis", desabafou, muito aplaudido. "O Brasil não vai mudar seu comportamento de forma alguma, qualquer se seja a crítica."

Na parte de improviso do discurso, Lula voltou a defender a produção de mais alimentos no mundo para atender ao aumento do consumo. "É uma oportunidade para o Brasil e não vamos desperdiçá-la", afirmou. "Alguns se assustam, mas o Brasil, não", acrescentou, garantindo que o País "corresponderá ao desafio", já que tem terras e as fronteiras de expansão produtiva ainda não estão esgotadas.

Na festa de lançamento da política industrial, nove pessoas discursaram. Uma delas foi o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrieli, que, apesar de ser enfático em sua fala, somente repetiu números já divulgados no plano de investimento da companhia até 2012.

Ele, no entanto, mereceu citação especial de Lula, em seu pronunciamento. O presidente da República, ao comentar o poder da empresa petrolífera, brincou que, se ela continuar assim, "vai ter que ter eleição direta para presidente da Petrobrás e ele indicará o presidente da República, tal é a sua capacidade de investimento".

Lula não deixou de exaltar a importância da participação dos países emergentes na economia internacional, antes dominada pela economia norte-americana. "No plano econômico, estamos assistindo à emergência de novos mercados e ao começo do fim do crescimento global puxado pela demanda do consumidor norte-americano", disse ele, completando que "há indicadores de que esses países - entre eles o Brasil - serão os responsáveis por metade da taxa de crescimento da economia mundial em um futuro bem próximo".

 
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