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   Colunas . Dajosan por Dário Santos

14.05.2008 imprimir Imprimir
 

COLUNA DAJOSAN
WASHINGTON DC - MARYLAND - VIRGINIA

SUPER PRODUÇÃO BRASILEIRA AO ESTILO HOLLYWOODIANO NA FLÓRIDA

Com personalidades, tapete vermelho e muitos paparazzi. Em sua 11a. edição de Press Award, a comunidade brasileira em Fort Lauderdale (FL), segue independente dos ti ti tis de bastidores. Desta vez vou tirar o chapéu para o jornalista Carlos Borges e o coreógrafo Caio Castro, assim como a todos os integrantes da equipe organizadora do evento. Quem ganhou com todo este espetáculo do estilo super produção hollywoodiana foi o bom nome do Brasil nos Estados Unidos. Foi uma semana em que tudo que se fazia dava certo. A mídia ali presente, os empresários, o público que chegou e lotou o teatro, foi exatamente um encontro sem igual. Convidados especiais como Jorge Ben Jor, Regina Duarte, Lima Duarte, os embaixadores Luiz Augusto de Araújo Castro e Oto Agripino Maia e muitas outras personalidades da mídia brasileira nos Estados Unidos e do Brasil. Em homenagem a Jorge Ben Jor, 13 artistas residentes no EUA cantaram as músicas que fizeram enorme sucesso durante a carreira artística de Ben Jor. Desta vez um grupo enorme de crianças abrilhantaram o evento com seus talentos na dança e na música. E para concluir, a produção do evento está de PARABÉNS com todas as letras maiúsculas, do tamanho do desejo que eles tiveram para fazer desta obra cultural a melhor do mundo e foi. E algo que observei bem foi a presença de Deus durante todo o evento, através dos agradecimentos de cada um dos convidados e premiados com o troféu Press Award. Todos nós fomos premiados e "Salve o verde, cuide do verde, para o verde cuidar de nós".


Ator da Tv Globo Lima Duarte e Patrícia Lima


Jornalista Dario Santos e a atriz da Tv Globo Regina Duarte


Jornalista Paulo Correa e o Cantor e compositor Jorge Ben Jor


Embaixadores Luiz Augusto de Araújo Castro e Oto Agripino Maia

ENTREVISTA . Parte 2:

AMAZÔNIA: Proposta do jornalista Samuel Saraiva pede ações urgentes para garantir soberania nacional na região

Segunda parte da entrevista com o jornalista Samuel Saraiva

By: CHICO ARAÚJO  e  MONTEZUMA CRUZ

Tem a ver com a vocação econômica da região?

Isso. Demonstrei que era preciso considerar a vocação econômica de cada área. Essas agrovilas ofereceriam gratuitamente às Forcas Armadas uma infra-estrutura militar magnífica, além de possibilitar a interação das Forcas Armadas com a população nacional, dando muito mais substância e força no cumprimento do dever constitucional de responsabilidade militar. Não apenas os índios poderiam receber treinamento, mas também seria facilitado o recrutamento de soldados nas próprias agrovilas. Acho o Calha Norte necessário e emergencial, mas a disponibilidade de recursos é infinitamente não condiz com a demanda por segurança. O Projeto Transfronteira ampliaria as possibilidades e facilitaria a consecução de objetivos filosóficos nacionais  permanentes, perseguidos pelas autoridades militares.

E os militares apoiaram?

No parecer técnico-militar (nº 020-SA-2.3 de 13 de janeiro de 1888), firmado pelo general-de-brigada Benedito Onofre Bezerra Leonel, o Ministério do Exército assim se manifestou: “Acolhendo proposta do Estado-Maior do Exército, o Ministério do Exército é de parecer favorável ao projeto denominado Transfronteira. Outros pareceres favoráveis se somaram a esse, a exemplo do emitido pelos ministérios do Interior, da Reforma e Desenvolvimento Agrário, Secretaria Geral do extinto Conselho de Segurança Nacional, o Ministério das Relações Exteriores  e Estado Maior da Aeronáutica. (Os documentos que constam do livro editado pelo Parlamento Latino-americano e publicado pela Coordenação de Publicações da Câmara dos Deputados em 1989).

De que maneira esse projeto contempla o processo de integração com os países que compartilham a fronteira amazônica?

A proposta prevê a interligação dos respectivos sistemas viários, aproveitando os já existentes: rodovias, ferrovias e sistema fluvial. O próprio traçado da rodovia Transfronteira dar-se-ia a partir dos estudos que iriam indicar o meio mais adequado e menos impactante para o sistema ambiental. Não se pode abrir mão do progresso necessário ao nosso desenvolvimento econômico-social, mas devemos ser extremamente cuidadosos para não agredir irresponsavelmente esse sistema vital e de importância estratégica para a garantia do nosso futuroA proposta beneficiaria a integração sul-americana, oferecendo aos países da costa oceânica do Pacífico acesso ao Atlântico por meio do sistema viário brasileiro. Em contrapartida, o Brasil teria vários caminhos de acesso ao Pacífico.

Parece que o projeto chegou a ser reapresentado?

É verdade. Em 1997 solicitei a reapresentação e fui atendido pelo então senador Ernandes Amorim (atualmente deputado federal pelo PTB de Rondônia, ex-dirigente do PDT). O Transfronteira se tornou o Projeto de Lei do Senado Nº 06/97). Infelizmente, foi novamente arquivado com base no parecer contrário do relator, senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que justificou inviabilidade em face  da ausência de recursos públicos para sua execução.

Como o senhor interpreta o atual debate sobre a segurança amazônica? Autoridades de Rondônia, por exemplo, andam assustadas com a possibilidade de ação das FARCs.

Vejo como nossas elites são irresponsáveis e diariamente fazem prevalecer interesses pessoais e mesquinhos em detrimento dos interesses nacionais. Basta observar a indústria de escândalos denunciados diariamente pela mídia.  Já dizia o Barão de Rio Branco há mais de 200 anos: “Quem ocupa é dono”. Assim é simples. Sem ocupação física, obviamente planejada, a soberania nacional será uma mera abstração de direito. Não há milagres sem empenho, ação sem consciência cívica das responsabilidades que pesa sobre Estado e Sociedade em se manterem interados na preservação da soberania. A mim parece inócuo que alguém afirme que as FARCS podem entrar na Amazônia Brasileira.  Não apenas guerrilheiros ameaçam e invadem diariamente nosso território. Aí se acrescente madeireiros estrangeiros, garimpeiros, mercenários, espiões disfarçados de religiosos, etc. É vasto o leque de ameaças que só deixarão de vulnerabilizar, quando nossa legislação permitir o assentamento ordenado dos brasileiros. Esse negócio da lei proibir assentamento na faixa de segurança nacional paralela à linha divisória terrestre é algo ultrapassado, estúpido e que precisa urgentemente ser revisto.

Então, podemos interpretar que o Projeto Transfronteira virou esqueleto no armário?

De fato, o esqueleto está guardado nos arquivos históricos do Congresso Nacional. É a prova do estágio de razão em que nos encontramos como nação. Se não nos assentamos, obviamente nos manteremos ausentes. A legislação existente parece até que foi concebida de forma a atender interesses alheios ou contrários aos nacionais.  Se as forças de defesa não têm dinheiro para manter sequer o traçado no Projeto Calha Norte, como então discutirmos feitos néscios tolas fórmulas de defender nosso território?  Manter o “status quo” é incentivar irresponsavelmente essas invasões, mais que isso: avalizá-las. Durante todos esses anos nenhum repórter, nenhum pesquisador mencionou uma linha sequer com o intuito de trazer à luz e ao debate público o Projeto Transfronteira.

O senhor foi autor de uma proposta que teve ampla repercussão internacional. Aquela enviada no ano passado ao secretário da ONU, sugerindo tipificar como delito universal toda ação que cause danos ao meio ambiente.  A Força de Paz atenderia em caráter emergencial áreas ameaçadas por queimadas, desde que essa intervenção fosse solicitada por um de seus membros. Isso não seria uma ameaça à soberania?

Na condição de amazônico, filho de ex-combatente, o sentimento nacionalista é forte. Vejo entristecido esse quadro em que as questões nacionais são relegadas por questões menores e por todo tipo de delitos e crimes que maculam a própria dignidade nacional perante o mundo. Vejo o nosso patrimônio genético  destruído por nós mesmos e aí me sinto na obrigação moral de sugerir a organismos internacionais o estudo de mecanismos que coibam esse tipo de atentado. A estupidez de alguns líderes ou de uma parcela salafrária de uma nação não dá o direito de que se promova qualquer tipo de destruição. Um exemplo disso foi a destruição parcial dos monumentos milenares do Afeganistão por seu próprio povo, antes da intervenção americana.  Podemos, mas não temos o direito de queimar nossas florestas, poluir nossos rios, deixar os índios indefesos na áreas de fronteira, entregues à própria sorte. Deixar nosso povo faminto, castigado em cima de uma riqueza incalculável, deixá-lo sem terra, enquanto é impedido de ocupar o próprio território nacional. Enfim, entendo que o imperativo existencial e de preservação deve prevalecer sobre conceitos políticos ou filosóficos que limitem ou impeçam a preservação da vida na terra. Ou ocupamos ou perderemos. Ou preservamos ou num futuro, quando a humanidade se debate com fome e sede, irão buscar irremediavelmente esses recursos em qualquer lugar da terra. É a garantia de vida que todos têm. Se não por consciência cívica ou humanitária, cedo ou tarde essas questões  haverão de estar permanentemente em pauta, em vez de fricotes e outras cenas ridículas que apenas enchem a bola de uma multidão de inconseqüentes frívolos

Finalmente, o que o senhor já ganhou ou ganha com essas propostas? Alguém lhe paga por isso?

Minha contribuição é gratuita. Motiva-me apenas o dever de contribuir ao nível da minha capacidade. A satisfação é a sensação de não me sentir um elemento social passivo no processo histórico. Creio que antes do nosso bem estar pessoal, deveríamos fazer pelo coletivo. A mim seria impossível receber um só centavo do dinheiro público em troca do cumprimento de um dever cívico e moral que corresponde à participação cidadã.
 
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