13 de Maio, dia da Libertação dos Escravos, 120 anos da utopia brasileira
Rio de Janeiro, 13 de maio de 1888. Cerca de 10 mil pessoas se aglomeram ao redor do Paço. O Palácio do Governo na Capital Federal. Gente do povo, da alta sociedade e autoridades que aguardavam a chegada da princesa Isabel para a assinatura da Lei de número 3.353. A Lei Áurea. A mais comentada e festejada de toda a história do Brasil até aquela época. Ela encerrava quase quatro séculos da escravidão de negros no Brasil. Hoje a Lei Áurea faz parte da história.
Não é mais comemorada com a mesma alegria de antigamente, nem mesmo pelos negros, os principais beneficiados. Participantes do Movimento Negro no Brasil consideram que a lei foi apenas uma conquista na área jurídica, pois obrigou o fim da escravidão. Mas não houve conquista social: os negros permaneceram marginalizados na sociedade e até hoje lutam contra o preconceito.
O 13 de Maio
Filha do imperador D. Pedro II, a princesa regente Isabel governava o país pela terceira vez, pois seu pai estava doente. No dia 13 de maio, ela chegou ao Paço quase às três horas da tarde, trajando um vestido de seda de cor pérola com rendas. O povo gritava de alegria. Instantes depois, ela assinaria a lei que dava liberdade à todos os escravos do Brasil. Da sacada do Paço, senhoras jogavam flores sobre a princesa e seu marido, o conde D'Eu, que subiam as escadas para ir ao local da cerimônia, a Sala do Trono.
Libertos, mas marginalizados
Um ano e meio mais tarde, a princesa Isabel, que seria a próxima imperatriz e a primeira mulher a governar o país, perdeu o trono com a Proclamação da República, em novembro de 1889. Os presidentes republicanos nunca tomaram nenhuma medida para integrar os ex-escravos e seus descendentes à sociedade. Apesar de libertos, os negros não receberam condições de ascender socialmente e de tornarem-se cidadãos de fato. O preconceito contra eles e a escassez de oportunidades permanece ainda hoje, quando os descendentes de africanos, (negros e pardos), são 45% da população brasileira (cerca de 70 milhões de pessoas).
Hoje 13 de maio de 2008, cento e vinte anos já se passaram. Transformaram o negro em Afro-Descendente. No Brasil do século 21, o negro ainda continua marginalizado por seus pares e por parte da sociedade. Continua sendo discriminado, mas dia chegará em que o negro sairá do gueto da sua existência e quando chegar, quem sabe a nação de moreninhos claros e escuros, passe a se orgulhar da herança negra de Zumbi dos Palmares, de Martin Luther King, de Malcom X e tantos outros líderes negros mundo afora como o quase centenário Nelson Mandela e possam cantar e gritar com a força da alma "um sorriso negro , um abraço negro, com toda felicidade e que o Brasil inteiro descubra que negro é a raiz da liberdade”. Antes éramos nós, agora somos todos escravos do sistema, da ditadura da beleza e do consumo. A escravidão não acabou, ela globalizou-se em todas as raças, credos e nacionalidades.
Viva Zumbi! Viva Palmares! Salve o 13 de maio! Data esquecida pela maioria dos próprios negros, porque agora se comemora o Dia da Consciência Negra. Negra é a consciência dos racistas e discriminadores raciais e sociais. |