Combates no Líbano deixam 81 mortos
Beirute - O Exército do Líbano disse que usará a força, a partir da terça-feira, para conter os violentos confrontos entre partidários da oposição e do governo, os piores desde a guerra civil (1975-90). "As unidades do Exército vão conter todas as violações, de acordo com a lei, mesmo se isso levar ao uso da força," indicou o Exército em um comunicado divulgado na segunda-feira.
Os confrontos entre muçulmanos sunitas pró-governo e milicianos ligados ao movimento xiita Hezbollah - apoiado por Irã e Síria - foram retomados ontem na cidade portuária de Trípoli, de maioria sunita, deixando um morto e seis feridos. A violência, que começou na quarta-feira, deixou 82 mortos e mais de 250 feridos, segundo fontes policiais.
No domingo, 36 pessoas morreram nos confrontos entre o Hezbollah e drusos ligados ao governo no oeste de Beirute. Uma fonte disse que 14 combatentes do Hezbollah foram mortos quando forças lideradas pelo grupo xiita atacaram vários postos montados por homens leais a Walid Jumblatt, no distrito de Aley, antes de o líder druso concordar em entregá-los ao Exército. Também ocorreram combates no domingo em Trípoli e no Vale do Bekaa, entre partidários da maioria parlamentar pró-Ocidente e milicianos alawitas, uma cisão do xiismo, ligados ao Hezbollah.
Os combates de ontem ocorreram em Trípoli (norte) assim como perto do principal posto na fronteira com a Síria, fechado há dois dias por seguidores do líder da banca governista no Parlamento, Saad Hariri. Os dois lados usaram armamento pesado e obrigaram o Exército a retirar-se da cidade portuária, como havia feito na véspera. Os confrontos tornaram-se esporádicos no final do dia, mas a presença de homens armados seguia sendo numerosa, principalmente em Tebbaneh, bairro sunita do norte de Trípoli.
Apesar dos novos combates, Beirute continuava em calma na segunda-feira após a retirada, na sexta-feira, dos milicianos do Hezbollah depois que o Exército decidiu suspender o desmantelamento da rede de telecomunicações do grupo xiita.
O Hezbollah insiste que a rede de telecomunicações é vital para a resistência a Israel e o líder do grupo, xeque Hassan Nasrallah, disse na quinta-feira que seu desmantelamento era uma "declaração de guerra".
A Grã-Bretanha e os EUA, que apóiam o governo do primeiro-ministro sunita Fuad Siniora, divulgaram ontem comunicados condenando a violência e respaldando a mediação da Liga Árabe.
Os líderes políticos libaneses continuavam ontem acusando-se pela situação. O ex-presidente cristão Amin Gemayel, cujo partido integra a coalizão governista, declarou que não haverá diálogo enquanto o Hezbollah não se comprometer a não recorrer às armas para solucionar os problemas do país.
Já o líder cristão da oposição Michel Aun disse que não haverá estabilidade no Líbano se o governo do premiê Siniora não renunciar. Há 17 meses o Líbano vive uma disputa de poder entre o governo pró-Ocidente e a oposição pró-Síria, liderada pelo Hezbollah. Desde novembro o país está sem presidente, pois os dois lados não chegaram a um consenso sobre um sucessor para o ex-presidente Emile Lahoud. |