Segundo a ONU, maioria das vítimas de ciclone em Mianmar não recebeu ajuda
Rangum - A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou ontem que apenas uma pequena fração da ajuda internacional enviada à Mianmar está chegando às vítimas do ciclone que devastou o país em 3 de maio.
"Existe obviamente grande frustração com o fato de todo esse esforço de ajuda não ter sido acelerado" dez dias depois da passagem do ciclone Nargis, declarou Richard Horsey, porta-voz das operações humanitárias da ONU em Bangcoc, capital da vizinha Tailândia.
A tempestade devastou o delta do Rio Irrawaddy e deixou um saldo de mais de 62.000 mortos ou desaparecidos, de acordo com a contagem da junta militar birmanesa. A ONU especula que o número real de mortos provavelmente superaria a marca dos 100.000.
Do total de vítimas, segundo novos dados divulgados ontem pela tevê estatal birmanesa, 34.273 pessoas morreram e 27.838 estão desaparecidas.
Mais de 2 milhões de pessoas perderam as casas e as plantações de arroz das quais obtinham sustento.
O Programa Mundial de Alimentação, administrado pela ONU, informou que consegue enviar somente 20% da ajuda alimentar necessária por causa de gargalos, problemas logísticos e das restrições impostas pelo governo de Mianmar.
"A ajuda não está chegando a pessoas o bastante nem transcorre na velocidade necessária", queixou-se Horsey à Associated Press.
Grande parte dos sobreviventes está abrigada em monastérios budistas ou acampa ao relento, bebendo água contaminada por cadáveres e carcaças. Remédios e alimentos são escassos.
A junta militar não tem emitido vistos de entrada para agentes humanitários estrangeiros e controla a distribuição da ajuda enviada.