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   Notícias dos Estados Unidos

14.05.2008 imprimir Imprimir
 

Polícia prende 300 imigrantes em fábrica de carne kosher

Na maior batida realizada em lugares de trabalho que empregam imigrantes até agora neste ano, agentes federais dos Estados Unidos invadiram uma fábrica de carne kosher em Postville, Iowa, na segunda-feira, detendo mais de 300 trabalhadores. As autoridades afirmaram que havia suspeitas de que os trabalhadores estivessem ilegalmente nos Estados Unidos ou que tivessem se envolvido em crime de roubo de identidade e de uso fraudulento de números de Seguro Social.

Um porta-voz do serviço de imigração e alfândega não quis informar o número exato de pessoas detidas, preferindo manter a definição de "cerca de 300", e tampouco informou se os executivos e a empresa que controla a fábrica, a AgriProcessors, enfrentariam acusação criminal. A fábrica tem entre 800 e 900 funcionários é a maior produtora norte-americana de carne classificada como "glatt kosher", o grau mais elevado de limpeza na classificação kosher. A fábrica foi fechada temporariamente.

Os agentes da imigração estabeleceram posições de bloqueio em torno do terreno de 24 hectares em que a fábrica está instalada, no nordeste de Iowa, e invadiram as instalações durante o turno matinal de trabalho, executando dois mandados federais de busca, anunciaram autoridades federais norte-americanas. Um depoimento que o Departamento de Segurança Interna apresentou a um tribunal federal antes da operação menciona a "emissão de 697 queixas-crime e mandados de prisão contras pessoas que se acredita sejam atuais funcionários", e que se teriam envolvido em atividades criminais.

O depoimento afirma que um antigo supervisor da fábrica informou às autoridades que existia um laboratório de produção de metanfetaminas em operação na fábrica, e que alguns dos funcionários portavam armas nas instalações. O antigo supervisor, segundo o depoimento, havia estimado que cerca de 80% dos funcionários da fábrica viviam ilegalmente nos Estados Unidos.

Um porta-voz do deputado Bruce Baley, democrata de Iowa, informou que a expectativa era de que o número de detenções continuasse a crescer e chegasse a total até duas vezes superior ao inicial, com o avanço das investigações.

Representantes do governo federal arrendaram uma extensa área normalmente usada para a instalação de feiras e parques de diversões itinerantes, na vizinha cidade de Waterloo, a fim de conduzir as formalidades da detenção de investigados. Entre as pessoas que estão detidas no centro provisório de detenção e em Postville, ¿há muito medo¿, disse o professor Mark Grey, cujo trabalho, na Universidade do Norte do Iowa, se concentra em questões de imigração. "A ação é absolutamente devastadora para a economia local", afirmou Grey.

Em um comunicado à imprensa, Matt Dummermuth, o procurador público da Justiça Federal norte-americana na área norte do Iowa, classificou a batida como "a maior operação desse tipo já empreendida em Iowa". Nos últimos anos, as autoridades federais vêm realizando batidas como essa em locais de trabalho de todo o país, e o ritmo se acelerou desde que um novo projeto de lei sobre a imigração foi rejeitado no Congresso, no ano passado.

A operação estava planejada já meses, e foi conduzida em coordenação com as autoridades policiais locais, de acordo com o comunicado, divulgado em nome das autoridades federais e locais por Claude Arnold, o agente especial que supervisiona o escritório do serviço de imigração e alfândega em Bloomington, Minnesota.

Telefonemas à AgriProcessors, uma gigante de alcance mundial no mercado de carne kosher e grande empregadora em Postville, uma cidade de 2,2 mil habitantes, não foram respondidos. Um advogado da fábrica tampouco retornou um telefonema. De acordo com um dos sites da empresa, Aaron Rubashkin, cuja família controla a fábrica, adquiriu uma fábrica de processamento de carne que havia fechado as portas em 1987, em Postville, e a transformou na empresa atual.

De acordo com Menachem Lubinsky, editor de Kosher Today e consultor de marketing, a AgriProcessors fornece 60% da carne bovina e 40% da carne de aves kosher vendida no varejo dos Estados Unidos, e a maioria das cadeias de varejo dependem da empresa para obter o produto. Lubinsky também informou que a companhia era a única processadora de carne norte-americana cujos produtos são aceitos em Israel.

A batida não foi a primeira ocasião em que a fábrica atrai interesse nacional. Em 2004, ela foi pressionada a alterar seus métodos de abate de animais depois que um grupo de defesa dos direitos dos animais documentou secretamente trabalhadores que abatiam bezerros cortando-lhes as gargantas e deixando que sangrassem até morrer. A empresa também foi alvo de queixas por poluição ambiental.

 
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