PF apreende bolsa na casa de Garotinho, mas não revela conteúdo
Rio - A casa do ex-governador Anthony Garotinho, denunciado sob a acusa ção de formação de quadrilha armada, foi alvo de quinta-feira (29) de operação da Polícia Federal. Munidos de mandado de busca e apreensão expedido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, sete agentes e um delegado da área de Inteligência da PF, acompanhados de duas testemunhas, vasculharam o imóvel de quatro pavimentos , em Laranjeiras, na zona sul da capital, por quatro horas e quinze minutos. Saíram com uma bolsa cheia e lacrada, mas não revelaram o que havia dentro.
Apesar de a operação ter começado às 6 horas, a equipe só chegou à residência do ex-governador - que estava presente - às 11h29. Motivo: o endereço inicialmente obtido pela PF estava errado.
Os policiais foram primeiro a um apartamento em um prédio na Praia do Flamengo, também na zona sul, de onde Garotinho e sua família tinham se mudado havia cerca de dois meses. Saíram de lá às 6h55, sem levar nada - o imóvel estava vazio, como foi constatado pelos agentes com a chave obtida com o síndico do prédio. "Parece que a Polícia bateu em endereço errado", comentou um parente do ex-governador. Àquela altura, Garotinho já acompanhava a movimentação dos policiais, seguida por repórteres, pela internet. O ex-governador ficou em casa, como constataram jornalistas que chegaram ao endereço certo bem antes da Polícia. A PF precisou de novo mandado e só chegou à casa cinco horas após a primeira batida.
Até o fim da tarde, o ex-governador só concedera entrevista a uma rádio de Campos, no norte do Estado, seu berço político. Ele se disse "surpreso" com a operação e afirmou não ter o que temer Garotinho não participou na quinta-feira do programa radiofônico que mantém no horário matinal, no qual foi substituído pela filha, Clarissa Matheus.
Pelo menos quatro advogados acompanharam a operação da PF. O vice-prefeito de Campos, Roberto Henriques (PMDB), visitou o ex-governador e, ao sair, afirmou que Garotinho estava "absolutamente tranqüilo" e "animadíssimo". "Ele tomou conhecimento pela grande imprensa da acusação de formação de quadrilha armada. Conheço Garotinho desde criança e nunca o vi com arma na cintura. Jesus de Nazaré, que foi melhor do que nós, respondeu a quatro processos", declarou.
Segundo ele, o ex-governador já esperava a chegada da PF e preferiu ficar em casa para "facilitar o trabalho da Justiça". Henriques afirmou ainda que o ex-governador lhe contou que não participara do programa de rádio para "acompanhar pessoalmente a diligência".Alguns filhos do ex-governador estavam na casa durante a operação.
Em dezembro, a PF apresentou ao Ministério Público o relatório final das investigações. Nele, os delegados do setor de Inteligência defendiam a prisão do ex-governador. Os procuradores da República, porém, entenderam que não havia embasamento legal para o pedido.