Felipe pega pênalti e Corinthians está na final da Copa do Brasil
São Paulo - 2 a 1 lá, 2 a 1 cá. E o confronto do Morumbi, na quarta-feira, acabou nos pênaltis. Antes das cobranças, o goleiro Felipe sentou-se, sozinho, no banco de reservas, colocou uma toalha na cabeça e com o terço na mão, rezou, pedindo proteção e sorte. Deu certo. O goleiro - havia falhado no gol de Renato Silva - defendeu o último chute, do lateral Zé Carlos, e levou o Corinthians à final da Copa do Brasil com 5 a 4. O próximo rival será o Sport, que eliminou o Vasco, também nos pênaltis, por 5 a 4. A CBF sorteou na quinta, no Rio, o mando dos jogos.
"Parabéns para o Corinthians. Um time que está passando por dificuldades (disputando a Série B). Eles jogaram bem, foram melhores nos pênaltis e merecem ir à decisão", surpreendeu o meia Lúcio Flávio, do Botafogo, num belo fair play.
O mistério cercou todo o duelo. E as escalações só foram descobertas com a entrada dos times em campo. "O Corinthians tinha de divulgar primeiro, não fez, eu que não ia dar meu time", justificou Cuca.
Necessitando apenas de um empate, o botafoguense apostou em três atacantes: Fábio, Jorge Henrique e Wellington Paulista. "O empate é bom quando faltam apenas cinco minutos. Se ficarmos atrás, eles vão nos empurrar para dentro (sufocar)", justificou.
Do outro lado, uma escalação irônica. Precisando da vitória, Mano Menezes trouxe um Corinthians com três zagueiros: Fábio Ferreira, Chicão e William. "Temos 90 minutos para fazer um gol e não levar nenhum. Não precisamos fazer como contra o Goiás (4 a 0) e partir para cima com tudo".
Escalações surpreendentes, futebol pegado, brigado, bastante brigado, e em ritmos diferentes. O Corinthians não continha a pressa. Corria muito, mas mostrava desorganização. Já os cariocas cadenciavam o jogo, tocavam a bola sem desespero e apostavam em sua principal jogada, os cruzamentos para a área, sempre dos pés do habilidoso Lúcio Flávio.
Nos 45 minutos iniciais, os corintianos até deram alguns sustos, em cabeçadas de Rincón e Herrera e numa antecipação do argentino que passou raspando. Ficaram no ‘uh’ da torcida. Do outro lado, os ‘chuveirinhos’ do meia Lúcio Flávio não surtiram efeito. O fair play até prevalecia quando, no minuto final, os jogadores trocaram o futebol por ofensas mútuas e empurra-empurra. Coisa feia.
Dentinho - talvez irritado por não marcar há 12 jogos - bateu boca asperamente com Leandro Guerreiro. O atacante, por sinal, foi o ponto de discórdia da fase inicial. Levou amarelo logo no início, tentou cavar uma falta no final que podia ter ocasionado sua expulsão e estava no lance que os corintianos reclamaram de pênalti.
"Ele foi agarrado", cobrou Mano Menezes do árbitro Evandro Rogério Roman. O treinador acabou expulso. "O senhor invadiu o campo antes de o primeiro tempo acabar dando socos no ar", disse o árbitro. Ouviu um desabafo. "A falta (do possível pênalti) você não viu. Só se preocupam com os técnicos e não em apitar corretamente. Vocês (árbitros) estão tirando a vaga do Corinthians".
Do lado de fora o treinador viu Acosta, sua aposta para a segunda etapa, abrir o marcador após bela jogada de Herrera. O início de festa corintiana durou dois minutos. Até falha incrível de Felipe num escanteio. O goleiro saiu mal do gol e a bola sobrou para o zagueiro Renato Silva empatou.
Chicão, de falta, colocou novamente o time na frente. O relógio nem marcava 45 minutos e Roman apitou o fim do tempo normal. 5 a 4 nos pênaltis e festa corintiana. |