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   Colunas . Opinião por Francisco Sampa

11.06.2008 imprimir Imprimir
 

McCain e Obama apresentam perfis opostos

A corrida pela Casa Branca entra em uma nova fase, na qual os eleitores terão que escolher entre o "status quo" que representa o republicano John McCain e a mudança evocada pelo democrata Barack Obama. As diferenças entre um e outro estão à flor de pele: um é branco e o outro negro, um tem 71 anos e o outro 46, um apoiou a guerra do Iraque e o outro se opôs a ela. A batalha, que os dois rivais políticos mantêm timidamente há semanas, promete se intensificar a partir de agora após ser confirmada na noite passada que Obama será o candidato presidencial democrata nas eleições de novembro.

De fato, o senador democrata aproveitou hoje sua passagem pela conferência anual do grupo de pressão pró-israelense Aipac para vincular McCain com a fracassada guerra do Iraque e com uma política internacional que diminuiu o poder dos Estados Unidos no mundo. "O senador McCain se nega a entender o fracasso da política que ele prolongaria", afirmou Obama, em referência à decisão de invadir o Iraque e à resistência da atual Casa Branca em recorrer à diplomacia visando o interesse dos EUA. Prometeu que, se chegasse à presidência, estabeleceria um diálogo com o Irã e ofereceria incentivos a Teerã em troca do abandono de seu plano nuclear, de seu apoio ao terrorismo e das ameaças a Israel. "Nossa vontade de perseguir a via diplomática faria com que se tornasse mais fácil mobilizar os demais para que se somem a nossa causa", afirmou, para acrescentar que, se Teerã insistisse em seguir seu atual caminho, a comunidade internacional saberá que o Irã "é o autor de seu próprio isolamento".

McCain, entretanto, convidou hoje seu rival para realizar uma série de dez debates em diferentes prefeituras do país, nos quais haveria pouca intervenção dos moderadores e os candidatos aceitariam perguntas da audiência. A equipe de campanha do senador por Illinois se mostrou aberta à idéia, embora não tenha confirmado oficialmente sua participação. Os especialistas consultados pela agência Efe apostaram que o debate que se aproxima será "fascinante" e acentuará, sem dúvida, as diferenças já visíveis entre os dois candidatos à presidência dos EUA. "Será realmente interessante ver um senador de 71 anos como McCain concorrer com um candidato jovem e enérgico como Obama", disse à agência Efe Ed Costantini, professor emérito da Universidade da Califórnia em Davis. Todd Gitlin, professor da Universidade de Colúmbia (Nova York), afirmou que a equipe de McCain vende seus cabelos brancos como um fator positivo, ao equipará-los com autoridade e experiência, e argumenta que Obama carece de experiência e maturidade.

Enquanto isso, Obama insiste que McCain é um prisioneiro do passado, ao vinculá-lo com a impopular presidência de George W. Bush e com debates obsoletos. "O que tenta fazer (a equipe de Obama) é apresentar McCain como alguém incapaz de ver o mundo com olhos frescos e como alguém cujo conhecimento é na realidade rigidez", declarou Gitlin. Tanto Costantini como Gitlin vêem forças e fraquezas nos dois "presidenciáveis". Para o professor da Califórnia, a vantagem do senador Obama advém de que "representa a possibilidade de mudança em um momento histórico no qual o povo está compreensivelmente insatisfeito", além disso, que "se conectou com os jovens e é um bom orador". Seu calcanhar de Aquiles está em um fator imponderável, a cor de sua pele, disse Costantini lembrando que o "racismo residual ainda persiste na sociedade americana". A isso seria preciso acrescentar "sua falta de experiência".

McCain tem a seu favor seus anos de serviço público, ser um militar condecorado e sua imagem de independente. Contra si, está sua idade e sua personalidade temperamental, segundo Costantini, que previu que isso pode expressar um mal do passado. Gitlin, o professor de Nova York, acrescenta à lista de fraquezas de Obama sua incapacidade para se conectar com os eleitores operários brancos e à de McCain sua pouca habilidade como orador. Os cinco meses que ficam pela frente colocarão a toda prova os recursos dos dois candidatos que seguramente terão que incluir mais de um golpe baixo em sua corrida rumo à Casa Branca
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