Suspeita de participação de Teixeira em falsificação na VarigLog
São Paulo - O fundo Matlin Patterson e o escritório de Roberto Teixeira são acusados de falsificar a ata de uma assembléia geral da VarigLog de 8 abril de 2008, contabilizando a presença de um acionista que diz não ter sido convocado. A assembléia foi realizada para destituir os sócios brasileiros Marco Audi, Marcos Haftel, Luiz Gallo, além do conselheiro Harro Fouquet, do Conselho de Administração e eleger novos sócios. De acordo com a ata da assembléia, a Fundação Ruben Berta Participações (FRB Par), detentora de 0,5% das ações da VarigLog, compareceu à reunião representada por seu vice-presidente, João Luis Bernes de Sousa. A ata é assinada pela advogada Larissa Teixeira, filha de Roberto Teixeira, e por Santiago Born, executivo do fundo Matlin Patterson.
Procurado, Sousa negou ter aprovado a destituição e nomeação de conselheiros. "Não aprovei a destituição de ninguém e muito menos nomeei ninguém", disse Sousa, que é ex-presidente da VarigLog. Ele conta que a última vez que entrou no prédio sede da VarigLog em São Paulo foi no dia 4 de abril, dia em que assinou sua demissão. "Nunca mais fui lá".
A falsificação de uma ata de assembléia representa crime de falsidade ideológica. De acordo com o artigo 299 do código penal, por ser um documento publico, a pena prevista é de um a cinco anos.
O presidente da Fundação Ruben Berta, César Cury, confirma que a FRB Par, braço financeiro da fundação, não participou nem deu procuração para ninguém representá-la na assembléia. "Nós não fomos avisados da assembléia e nem aprovaríamos o conteúdo dela", disse. Ele conta que ficou sabendo da realização da assembléia "há poucos dias", quando foi procurado por advogados do escritório de Roberto Teixeira para homologar o resultado da assembléia. "Nos procuraram e dissemos que não íamos homologar. No nosso entendimento isso é ilegal e queremos a anulação do registro dessa assembléia", disse Cury.
Ele afirmou ter procurado advogados e que estes estão analisando as medidas cabíveis.
Procurada pela Agência Estado, a assessoria do fundo Matlin Patterson e do escritório Teixeira, Martins e Advogados, declarou que a FRB Par compareceu à reunião, representada por Bernes de Sousa. "Não é verdadeira a afirmação de que não havia ninguém representando a Fundação Rubem Berta. O Sr. João Luís Bernes de Souza, além de ex-presidente da VarigLog, também é membro da fundação e a representou no ato."
O advogado dos sócios brasileiros da VarigLog, Marcello Panella, do escritório Thiollier Advogados, afirmou que pretende enviar a ata da reunião para a 17ª Vara Cível de São Paulo, onde tramita o processo de dissolução societária dos sócios brasileiros e estrangeiros da VarigLog. "A comprovação da falsificação anula todos os atos praticados por essa nova diretoria."
No lugar dos conselheiros destituídos, a assembléia do dia 8 de abril nomeou para o Conselho de Administração da VarigLog os empresários Paulo de Tarso Vianna Silveira e Ricardo Vastella Junior e o consultor Eduardo Artur Rodrigues Silva. |