Sport derrota o Corinthians e se sagra campeão da Copa do Brasil
Recife - Vida de corintiano não é fácil. Seis meses após chorar com seu time rebaixado, o viu chegar à uma decisão, a da Copa do Brasil. E sair em vantagem de 3 a 1 no primeiro duelo com o Sport. Era o dia da redenção. Encarou três dias de estrada, brigou para conseguir um ingresso e... mais uma vez amargou decepção. Com derrota por 2 a 0, o título ficou no Recife. O clube rubro-negro, imbatível em seus domínios, é o primeiro representante brasileiro na Copa Libertadores de 2009.
E não é que o gol de Enílton no Morumbi acabou sendo o gol do título? Isso porque com saldos iguais: 3 a 3, o gol fora acabou sendo decisivo. Título merecido. Conquistado com o maior exemplo do povo nordestino: a luta, entrega, determinação. Superior em todos os 90 minutos, provou não ter eliminado Palmeiras, Internacional e Vasco por acaso.
Ao corintiano resta enxugar as lágrimas e seguir seu calvário em 2008. Agora lhe resta mesmo só a obrigação de torcer para o time subir na Série B.
A decisão foi uma festa bonita, barulhenta e muito comportada. Uma verdadeira lição, por parte das torcidas, de como se torce. Completamente lotada, a Ilha do Retiro se coloriu de vermelho, preto e amarelo em sua maioria, cor do Sport, mas o preto e branco também marcou presença, com muitos corintianos apertados, porém festivos.
Gritos de incentivos de um lado, apupos do outro. E vice-versa. Provocações sadias. Essa acabou sendo a tônica do jogo. Sempre seguindo à risca a exigência do governador Eduardo Campos. A autoridade pediu paz e boa conduta do povo pernambucano. E muita gente seguiu à risca. Nesse verdadeiro clima de paz, o Corinthians, todo de branco, entrou primeiro em campo. Num colorido de luzes fulmegantes veio a campo o Sport. Um show pirotécnico de dar inveja. O Hino Nacional foi tocado por 42 crianças do colégio militar: 37 alunos do ensino médio e cinco do superior.
Com a bola rolando, um jogo truncado, amarrado, sem chances de gols. O Corinthians, atrás, chutava para o ‘mato’, enquanto o Sport mostrava nervosismo. Nelsinho Baptista, logo com 25 minutos, resolveu ousar. Tirou Kássio e pôs Enílton.
Mas nada de finalizar. Sua torcida já mostrava impaciência quando Carlinhos Bala acertou chute cruzado: 1 a 0, aos 34. A torcida se inflamou e, três minutos depois, os pernambucanos faziam o placar que lhes garantiria o título. Luciano Henrique cruzou, Enílton fez o corta-luz e a bola passou de baixo das pernas de Felipe. Uma falha grotesca: 2 a 0 e explosão na Ilha.
Na segunda etapa, o Sport seguiu mandando na final. E só levou dois sustos, com Lulinha e Acosta, que dividiu com o goleiro Magrão. Se Mano Menezes ganhou a "Batalha dos Aflitos" em 2005, no dia de seu 46.º aniversário perdeu a "Batalha da Ilha". |