Dietas: acabe com o engorda–emagrece
Parte I
Quem nunca ouviu falar em dietas mágicas, aquelas que prometem fazer você perder muito peso em poucos dias, como a dieta da lua, de líquidos, do abacaxi, dos chás, das sopas, entre outras? Pois é, a perda de peso até que acontece, mas a recuperação dos quilinhos eliminados pode ser ainda mais rápida. E este engorda - emagrece, conhecido como efeito sanfona ou ioiô, pode desencadear alterações no comportamento alimentar, diminuir o metabolismo - dificultando o controle do peso a longo prazo e, ainda, originar problemas psicológicos, como a diminuição da auto-estima, sentimentos de fracasso e frustração.
"O efeito sanfona é um ciclo constituído pela perda de peso intencional e ganho de peso não intencional, devido à comum recuperação do peso após a perda. A tendência é de não apenas recuperar o peso perdido, mas de atingir um peso superior ao anterior", explica a endocrinologista Adriana Moretti. "Não é saudável ao organismo mudanças drásticas de peso, seja para cima ou para baixo. O corpo precisa se adaptar ao novo peso e o indivíduo deve se preocupar em manter uma dieta saudável e, de preferência, com acompanhamento médico", completa.
O endocrinologista Geraldo Santana, do Instituto Mineiro de Endocrinologia, esclarece que a perda de peso no efeito sanfona pode variar entre 2 e 4,5 quilos por ciclo, ou até mesmo chegar a 20 quilos ou mais. "Isso não quer dizer que uma pessoa que emagreceu e recuperou o peso uma ou duas vezes esteja no efeito sanfona. A obesidade é uma doença multifatorial e um programa de emagrecimento eficaz em um momento, pode não ser em outro, se houver mudanças nas circunstâncias que causam a recuperação do peso", alerta Santana.
Além disso, o engorda - emagrece pode desencadear desequilíbrios nos níveis da pressão arterial, colesterol, ácido úrico, triglicérides e até mesmo glicemia. Variações de peso exigem adaptações freqüentes do sistema metabólico, hormonal e cardiovascular, o que causa um estresse no organismo.
"O efeito rebote, quando o paciente tem um ganho de peso maior do que o do início da dieta, ocorre porque o organismo ajusta o metabolismo deixando-o mais econômico para estocar nutrientes, em falta nas dietas restritivas", conta Santana. "Assim, você volta a engordar. Perde rápido, mas também recupera rápido o peso", revela Anete Hannud Abdo, endocrinologista do Projeto de Atendimento ao Obeso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Perder peso muito rápido é errado
"Em uma dieta saudável, não se deve ingerir menos que 800 ou 1.000 calorias por dia", indica Anete. O ideal em um tratamento é perder peso gradativamente, de dois a quatro quilos por mês ou entre 5 e 6% do peso corporal no primeiro mês da dieta. "As melhorias metabólicas já são evidentes quando o paciente atinge 10% de redução no seu peso", avalia Adriana. "Para manter o peso é fundamental a mudança no estilo de vida, à mesa e fora dela", completa.
"Dietas radicais ou desbalanceadas podem promover uma perda acentuada de massa magra, causando uma diminuição do metabolismo e gerando maior dificuldade de emagrecimento posteriormente. A motivação e a força de vontade ficam comprometidas diante de fracassos repetidos", orienta Santana. Com a redução na capacidade de queimar calorias, a cada novo regime deve-se ingerir menos calorias para se obter a mesma redução do peso. Isso desestimula o paciente que passa a achar muito difícil manter a dieta e pode abandonar o tratamento. |