LDU vence Fluminense nos pênaltis e conquista a Copa Libertadores
Rio - O futebol brasileiro assistiu, na quarta-feira, a mais um Maracanazo, 58 anos depois da derrota da seleção brasileira para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950. Badalado, favorito, dono da melhor campanha da Libertadores, o Fluminense teve de amargar o vice-campeonato ao perder da LDU, do Equador, por 3 a 1 na disputa por pênaltis, após ter vencido por 3 a 1 no tempo normal e ficado no 0 a 0 na prorrogação.
Primeiro time equatoriano campeão da história da Libertadores, a LDU, que vencera os brasileiros em Quito por 4 a 2, vai agora disputar o Mundial de Clubes, em dezembro, no Japão - Manchester United, Pachuca (México) e Waitakere United (Nova Zelândia) também já estão classificados. O Flu comemorou antes do jogo e depois dele saiu chorando, como a sua torcida, que lotou o Maracanã - mais de 80 mil pessoas.
O Fluminense precisava superar inúmeros obstáculos. Alguns criados pelo próprio time. Como o nervosismo, revelado por grande precipitação para tentar as jogadas, defeito que teve como conseqüência inúmeros erros de passe. Além de um pecado que se mostraria mais grave: a pane geral da defesa, que passou a primeira etapa cometendo erros de posicionamento, bolas incrivelmente perdidas e o oferecimento de um espaço à LDU que nem a desculpa de que aos equatorianos interessava os contra-ataques podia ser aceita como justificativa para tal facilidade.
Foi graças a uma das diversas panes da defesa tricolor que a tarefa, que já estava difícil, ficou ainda mais complicada. Aos 6 minutos, após Guerron ganhar com grande tranqüilidade uma bola que parecia dominada por Júnior César, Bolaños fez 1 a 0 para a LDU. O sonho parecia ter ficado impossível. E a zaga do Fluminense insistia em errar.
Mas o time carioca também enfrentou obstáculos criados pelos equatorianos, claro. O principal deles foi o antijogo, tática reprovável, mas compreensível para uma equipe que entrou no campo adversário com vantagem de dois gols. A LDU queria fazer o tempo passar, irritando os tricolores. Nisso, contou com a ajuda do árbitro argentino Héctor Baldassi, que preferia gesticular, fingindo estar dando bronca, a advertir com mais rigor os equatorianos.
Permitir que a LDU segurasse demasiadamente o jogo foi, por parte do argentino, um erro tão grave como o pênalti não marcado em Washington, aos 31 minutos do primeiro, numa jogada em que o atacante tricolor foi claramente seguro por um zagueiro adversário - depois, na prorrogação, cometeu outro erro grave ao anular gol legítimo dos visitantes.
Naquela altura, o Flu já havia virado a partida, graças a Thiago Neves, o mais lúcido de seus jogadores na primeira etapa. Ele marcou aos 11, num chute de fora da área, que entrou do lado esquerdo do fraco goleiro Cevallos, e aos 27 minutos, concluindo um cruzamento de Cícero, que soube, no início da jogada, aproveitar um cochilo da zaga equatoriana.
A equipe da LDU, aliás, mostrou uma incoerência em seu sistema de marcação. Fazia-a bem, de intermediária a intermediária. Mas, na entrada de sua área, demonstrava grande fragilidade. Defeito que o Flu não soube aproveitar com mais efetividade, pois jamais conseguir pressionar por vários minutos seguidos.
Apesar das falhas, Thiago Neves preferiu sair para o intervalo enfatizando o fato de o time estar lutando. E profetizou: "Tenho mais um ou dois (gols) no estoque". O segundo tempo mostraria que ele estava certo.
O Fluminense voltou para o segundo tempo com Dodô, que a torcida havia pedido pela primeira vez de maneira mais contundente aos 23 minutos da primeira etapa, no lugar de Ygor. Os equatorianos chegaram a colocar uma bola na trave de Fernando Henrique. Mas o Flu também havia acertado a trave de Cevallos, com o próprio Dodô, aos 7 minutos.
Aos 11, Thiago Neves foi buscar em seu estoque um gol de falta, que ele mesmo sofreu. Flu 3 a 1, a decisão iria para a prorrogação. O time carioca continuou martelando, criando chances e se expondo. Não deixou jamais de tentar, mas teria de lutar pelo título na prorrogação. Faltou o gol, e a decisão foi para os pênaltis.
Conca, Thiago Neves e Washington falharam - todas as cobranças defendidas pelo goleiro Cevallos. Só Cícero marcou para o Fluminense. Os equatorianos foram mais eficientes e marcaram três vezes, com Urrutia, Salas e Guerron - só Campos errou. Tristeza no Maracanã para os tricolores. Festa da LDU, no Rio e em Quito.