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05.07.2008 imprimir Imprimir
 

Vídeo mostra mulher morta em sala de espera

A Health and Hospitals, empresa pública que controla os hospitais da cidade de Nova York, fechou acordo na terça-feira para reforçar a monitoração dos pacientes em uma clínica psiquiátrica em Brooklyn. O acordo surgiu depois que um vídeo revelou uma paciente desmaiando no chão da instituição depois de esperar quase 24 horas por um leito, e também que os funcionários da clínica nada fizeram para ajudá-la por mais uma hora. A paciente terminou morrendo.

A organização concordou com um reforço da monitoração como forma de encerrar o processo movido pela União de Nova York pelas Liberdades Civis e outras organizações. O processo, aberto um ano atrás em um tribunal federal em Brooklyn, acusa o hospital público, o Kings County Hospital Center, de manter os pacientes psiquiátricos em condições de imundície, negligenciá-los sistematicamente e drogá-los para garantir sua submissão.



"É inadmissível que tenha sido necessário que uma pessoa morresse, e que imagens do caso fossem registradas em vídeo, para que o governo municipal aceitasse discutir o caso com seriedade", diz Donna Lieberman, diretora executiva da união pelas liberdades civis, em entrevista coletiva concedida em Manhattan. O acordo foi reportado pelo jornal Daily News no domingo.

A paciente Esmin Elizabeth Green, 49 anos, morreu no Kings County em 19 de junho. Vizinhos disseram na terça-feira que Green, que trabalhava em uma creche e como enfermeira de idosos, havia sofrido alguma forma de colapso nervoso. Ela foi conduzida ao hospital por uma equipe de resgate em 18 de junho, sofrendo de agitação e de psicose, de acordo com a Health and Hospitals, e terminou internada por determinação do hospital.

Ela ficou na espera por quase 24 horas no chamado Pavilhão G, o pronto-socorro psiquiátrico, porque havia falta de leitos na ala psiquiátrica da instituição, disseram funcionários da organização.

Havia quatro câmeras em atividade na sala de emergência, diz Lieberman. Os advogados do governo municipal entregaram o vídeo à união pelas liberdades civis há alguns dias, como parte de uma troca rotineira de provas relacionadas ao caso, e a união decidiu veiculá-lo na terça-feira.

As câmeras mostraram Green caindo da cadeira às 5h32min da manhã do dia 19 de junho, quase 24 horas depois de sua internação.

Cerca de meia hora depois que ela caiu, o vídeo mostra um segurança se aproximando para verificar a paciente, e depois se afastando de novo, enquanto ela continuava imóvel no chão.

Um segurança pode ser visto no vídeo, mais tarde, chegando à sala rolando com sua cadeira, e depois saindo de novo. Uma integrante da equipe do hospital, usando um avental amarelo, é vista cutucando Green com o pé.

Funcionários chegaram correndo com uma padiola e um tanque de oxigênio para tentar reanimar Green uma hora depois de seu colapso, mas era tarde demais, de acordo com a união pelas liberdades civis. Mas a ficha da paciente mostra que Green teria levantado e ido ao banheiro às 6h, quase meia hora depois do colapso, e que ela estava "sentada silenciosamente na sala de espera" às 6h20min, quando o vídeo a mostra caída no chão.

Sob os termos do acordo judicial, o hospital terá de manter um máximo de 25 pacientes por vez em sua área de emergência, e verificar a condição de cada um deles a intervalos de 15 minutos. Os resultados dessas verificações devem ser registrados em um diário assinado e que terá valor de prova judicial. O hospital também concordou em esperar o tempo médio de espera por um leito para internação a entre 10 e 13 horas, em prazo de quatro meses.

Dirigentes do hospital disseram em 20 de junho, o dia seguinte à morte de Green, que a instituição havia tomado medidas contra os funcionários responsáveis pela paciente. O diretor de psiquiatria, o médico de plantão e o diretor de segurança do Kings County foram demitidos, disse Ana Marengo, porta-voz da Health and Hospitals. Ela disse que duas enfermeiras e um segurança haviam sido suspensos e que estavam aguardando audiências compulsórias dispostas sob as norma sindicais.

Alan Aviles, presidente da Health and Hospitals, divulgou na terça-feira um comunicado escrito no qual expressava choque quanto às circunstâncias em que Green morreu, e prometia melhoras.

Uma porta-voz do departamento de medicina legal da cidade disse que a causa da morte ainda não foi determinada.

Amigos de Green dizem que ela se criou em Kensington, Jamaica, e que tinha seis filhos morando lá, o mais jovem dos quais com 14 anos. Ela era membro da Jesus is Lord Church, uma igreja adventista, no bairro de Canarsie, Brooklyn.

Green viveu no pavimento superior do edifício que abriga a igreja por três anos, e saiu de lá cerca de um ano atrás, disse Marlene Sterling, amiga da paciente que continua a viver no local. Sterling conta que Green começou a sofrer ataques de ansiedade em janeiro, e que havia sido internada diversas vezes para receber tratamento psiquiátrico.

Sterling e Dorrette Henry, outra vizinha, dizem que haviam visto Green, que amava cantar música gospel, cerca de duas ou três semanas antes de sua morte, na igreja, onde ela cuidava das atividades infantis.

"Ela estava sempre cantando", relembra Sterling, acrescentando que, da última vez que a ouviu, Green estava cantando uma canção que tinha por tema o versículo bíblico "não é por força, não é por poder, mas pelo Meu espírito, disse o Senhor, que esta montanha será removida".

 
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