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05.07.2008 imprimir Imprimir
 

Campanha para presidente ultrapassa fronteira dos EUA

Houve um tempo no qual a ida de candidatos à Presidência americana para o exterior para fazer campanha deixaria seus assessores de cabelo em pé. Mas o democrata Barack Obama e o republicano John McCain farão exatamente isso - Obama vai à Europa e ao Oriente Médio; McCain visitará o México e a Colômbia. E essa tática inclui grandes riscos e grandes benefícios.

Um pouco antes da convenção do Partido Democrata no final de agosto, Obama viajará para França, Alemanha, Reino Unido, Jordânia e Israel. Também estão previstas visitas ao Iraque e ao Afeganistão. O senador pelo Estado de Illinois em primeiro mandato precisa convencer os americanos de que não é um peso leve em questões de política externa, protegendo-se assim das acusações de McCain sobre ser ingênuo e inexperiente.

O republicano, de outro lado, possui motivos mais imediatos para percorrer à América Latina nesta semana - sua popularidade entre os hispânicos vem ruindo e o candidato precisa urgentemente se recuperar nesse quesito. Os hispânicos representam o grupo minoritário que mais cresce nos EUA e respondem por cerca de 9 por cento do eleitorado nacional. Essa massa de votantes pode ser decisiva em Estados importantes da eleição de novembro, entre os quais a Flórida e os do sudoeste americano.

"Claramente, ele compreende que precisa sair-se melhor do que vem fazendo com os hispânicos e latinos", disse Larry Sabato, professor de ciências políticas na Universidade da Virgínia. McCain também usará sua visita à Colômbia para tentar marcar pontos contra Obama na questão do livre comércio. O republicano defende a conclusão de um acordo com os colombianos, algo a que o democrata se opõe.

O comitê de campanha de Obama espera que as imagens de TV com o candidato no exterior ajudem a convencer os americanos, que vão às urnas no dia 4 de novembro, de que podem confiar nele. O senador encontra-se em uma posição semelhante à vivida em 1976 pelo democrata Jimmy Carter, um governador da Geórgia pouco conhecido que saiu da obscuridade para conquistar a Casa Branca naquele ano, derrotando o republicano Gerald Ford.

Na época, Carter não possuía experiência em questões de política externa e preparou-se para a eleição encontrando-se, em 1973, com a então primeira-ministra de Israel, Golda Meir, e, no ano seguinte, visitando o Japão - o que lhe deu alguma credibilidade na área.

Obama, que aparece à frente de McCain nas pesquisas de intenção de voto e divulga uma mensagem de mudança após oito anos da Presidência George W. Bush, precisa evitar cometer quaisquer gafes no exterior que poderiam chamar atenção para a inexperiência dele. "Quando alguém que concorre a presidente faz uma viagem como essa, sempre há o risco de dar uma gafe. E isso reforçaria a incerteza atual alimentada por muitas pessoas que apenas agora começam a conhecer Barack Obama", afirmou o estrategista democrata Bud Jackson.

 
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