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12.07.2008 imprimir Imprimir
 

Daniel Dantas ficou em liberdade por apenas 10 horas

São Paulo - Durou dez horas a liberdade do banqueiro Daniel Dantas. Um dia depois de o presidente do Supremo tribunal Federal (STF) ter dado liminar em habeas-corpus para soltar o controlador do Banco Opportunity, o juiz Fausto Martins De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo, decidiu decretar a prisão preventiva de Dantas sob a acusação de corrupção ativa.

Banqueiro Daniel Dantas é solto mais uma vez



Dantas havia sido preso na terça-feira durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Sua prisão temporária foi decretada pelo mesmo juiz De Sanctis por causa de outros crimes de que é suspeito - gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados, evasão de divisas e formação de quadrilha. Além de Dantas, outras 23 pessoas tiveram a prisão decretada - entre elas o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, também soltos na quinta-feira (10).

Dois acusados tiveram, naquela oportunidade, a prisão preventiva decretada: o executivo Humberto José da Rocha Braz e Hugo Chicaroni. Eles seriam emissários de Dantas responsáveis pelo pagamento de propina - a prisão preventiva por corrupção de Dantas havia sido pedida e fora, então, negada pelo juiz. O banqueiro é acusado de estar por trás do oferecimento de US$ 1 milhão ao delegado da PF Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, para "obter informações sigilosas e para afastar das investigações" Dantas, sua irmã Verônica e um filho do banqueiro

O mesmo juiz que havia negado a prisão preventiva de Dantas por causa da corrupção decidiu mudar de idéia uma decisão, que segundo ele, baseia-se no surgimento de novas evidências do suposto envolvimento do banqueiro na trama. Durante a busca realizada na casa de Dantas, no Rio, os agentes da PF encontraram um documento intitulado "Contribuições ao Clube". Segundo o procurador da República Rodrigo de Grandis, o documento evidencia o pagamento de um milhão - não se sabe se de dólares ou de reais - em 2004 a título de "contribuição para que um dos companheiros não fosse indiciado criminalmente". A planilha informa que o pagamento foi realizado em "cash, figurando como interlocutor pessoa denominada Pedro". Para o procurador, o documento evidencia que a corrupção é "expediente contumaz" nas atividades "do grupo criminoso capitaneado por Dantas".

Além disso, o juiz levou em consideração as declarações prestadas por Chicaroni à PF. O investigado afirmou que é amigo de um desembargador aposentado que lhe apresentou o advogado Wilson Mirza Abraham. Mirza pediu-lhe que procurasse o delegado da PF Protógenes Queiroz, responsável pela investigação do caso. Queiroz indicou a Chicaroni que conversasse com o delegado Ferreira. Chicaroni contou, então, que procurou Ferreira e este disse que só falaria a "com executivos do grupo Opportunity". Ao mesmo tempo, o delegado informou o contato à Justiça e recebeu autorização para levar a negociação adiante.

Foi quando Chicaroni levou Braz, executivo do banco, para se encontrar com o delegado. Nas reuniões ficou acertado que o delegado receberia a propina em dois pagamentos de US$ 500 mil. Os corruptores ainda teriam entregue ao policial um pagamento de R$ 50 mil e outro de R$ 79 mil. Segundo Chicaroni, durante a negociação Braz "estava na condição, naquele momento, representando interesses do grupo Opportunity". Na casa de Chicaroni, os policiais acharam R$ 1,28 milhão.

Para cumprir a prisão, o delegado Queiroz foi ao escritório do advogado Nélio Machado, na Avenida 9 de Julho. Eram cerca de 15h30. Dantas estava lá, acompanhado do advogado Gustavo Teixeira, da equipe de Machado. O advogado ponderou que o banqueiro não oferecia perigo, e o delegado concordou que não havia necessidade do uso de algemas. O advogado entregou Dantas para "a custódia da PF", que o levou de volta à carceragem da PF em São Paulo.

 
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