Teerã - O Irã voltou a realizar testes com mísseis no Golfo Pérsico na quinta-feira, informou a televisão estatal da república islâmica. Um dia antes, a Guarda Revolucionária iraniana testou nove mísseis de longo alcance perto do Estreito de Ormuz, uma pequena faixa de água por onde passa 40% do suprimento mundial de petróleo.
O novo teste aconteceu na madrugada da quinta-feira, e incluiu os foguetes Fateh (conquistador) e Zelzal (terremoto), de médio alcance, assim como o Shihab-3, de longo alcance.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse antes dos novos testes que os "Estados Unidos defendem a segurança da população no Golfo Pérsico" e farão "o possível para que o Irã não tenha a chance de ameaçar" seus aliados.
Depois de se reunir com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, Rice assinalou em entrevista coletiva em Tbilisi que os Estados Unidos empreendem medidas para que o "Irã leve em conta a opinião da comunidade internacional".
"O Irã deveria voltar às negociações no formato vigente, já que as ameaças aos Estados Unidos e a outros países não fornecem nada de bom a ninguém", declarou a chanceler americana.
Os mísseis testados na quarta-feira têm alcance de até 2 mil quilômetros - suficiente para atacar Israel e bases dos Estados Unidos no Oriente Médio.
O ministro da Defesa iraniano, Mostafa Najjar, afirmou que os mísseis testados na quarta-feira têm um objetivo "puramente defensivo".
"Nossos mísseis não serão utilizados para ameaçar nenhum país e seu único objetivo é repelir aqueles que tentem atacar o Irã. São para defender a paz no Irã e no Golfo Pérsico", indicou.
Na quinta-feira, a emissora estatal iraniana informou que, "no terceiro dia das manobras do Grande Profeta no Golfo Pérsico, os acontecimentos mais importantes foram os disparos de mísseis terra-mar e terra-terra, assim como os projéteis mar-terra".
Na quarta-feira, o general Hossein Salami, comandante da força aérea da Guarda Revolucionária, afirmou que os testes tiveram como objetivo "mostrar nossa determinação e poder contra os inimigos, que nas últimas semanas ameaçaram o Irã com uma linguagem dura".
Os EUA alegam que buscam resolver pela via diplomática a disputa sobre o programa nuclear iraniano, mas mantém "todas as opções sobre a mesa". Em Israel, funcionários do governo sugeriram recentemente que o país poderia atacar as instalações nucleares do Irã.
Os novos mísseis testados têm capacidade de alcançar o território de Israel, a Turquia, a Península Arábica, o Afeganistão e o Paquistão. "Teremos sempre o dedo no gatilho e nossos mísseis estão prontos para ser lançados", disse Salami na quarta-feira à agência oficial Irna.
Salami destacou que o principal objetivo das manobras é "mostrar as capacidades, a preparação e o desenvolvimento da indústria de defesa do Irã", e advertiu os inimigos para "que não cometam erros". "Estamos vigiando todos os movimentos deles", acrescentou.
Os militares iranianos ameaçaram, há uma semana, bloquear o Estreito de Ormuz caso o Irã fosse atacado, declaração à qual os militares americanos na região reagiram prontamente, afirmando que "não permitiriam" tal ação.