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   Colunas . Dajosan por Dário Santos

30.07.2008 imprimir Imprimir
 

COLUNA DAJOSAN
WASHINGTON DC - MARYLAND - VIRGINIA

Regra número um no mundo da arte. Nao esquecer o que nos motiva viver, sonhar, amar e às vezes odiar...tudo em um...o artista.

JULHO - MÊS DE LEMBRAR OS ARTISTAS (*)
Gianfrancesco Guarnieri

Nascimento, 06 de Agosto de 1934.
Milão, Itália.
Nacionalidade: Italiana
Falecimento, 22 de Julho de 2006.
São Paulo, Brasil.

Em função do fascismo que tomava conta da Itália - país de origem, o maestro Edoardo Guarnieri e a harpista, Elsa Martinenghi, decidiram vir para o Brasil, Rio de Janeiro em 1936, onde se estabeleceram, trazendo o ainda criança Gianfrancesco.

No dia 02 de junho de 2006 gravava, no Teatro Oficina, em São Paulo, a telenovela Belíssima, onde interpretava o personagem, Pepe, quando se sentiu mal, tendo sido internado no Hospital Sírio-Libanês, local em que veio a falecer, cinqüenta dias após, de insuficiência renal crônica, no dia 22 de julho.

Meio século depois da estréia do filme “O GRANDE MOMENTO” e dois anos após sua morte é possível olhar, com distanciamento, para a vida e obra de “Guarnica” e ver que em plena liberdade de expressão, vivida pelos artistas no ano de 1961, Guarnieri não conseguiu fazer valer sua crença e acabou sendo 'criminalizado', quando estreou “A Semente”, como pode ser lido em sua biografia, abaixo. Como no presente, o artista à frente de seu tempo é responsabilizado, injustamente, pelos males da sociedade contemporânea. Esta é  a macabra metáfora, que ainda não foi desvendada. Julho, talvez, seja o mês de lembrarmos dois, dos grandes artistas que nossa sociedade teve a honra de conhecer: Gianfrancesco Guarnieri e Raul Cortez.

BIOGRAFIA:

No início dos anos 50, a família se mudou para São Paulo. Líder estudantil desde a adolescência, Guarnieri começou a fazer teatro amador com Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha) e um grupo de estudantes de São Paulo e em 1955, criaram o Teatro Paulista do Estudante, com orientação de Ruggero Jacobbi. No ano seguinte, o TPE uniu-se ao grupo, fundado e dirigido por José Renato. Dessa fusão, resultou o Teatro de Arena, que se destaca como grande marco da dramaturgia nacional, comprometida com os anseios populares.

TEATRO:
Sua peça de estréia, como dramaturgo, foi com Eles Não Usam Black-Tie, encenada em 1958 no Teatro de Arena. Com direção de José Renato, o elenco contou com grandes talentos que começavam a despontar no teatro brasileiro, como o próprio Guarnieri, além de Lélia Abramo, Miriam Mehler, Flávio Migliaccio e Milton Gonçalves. O sucesso foi imenso, sendo a peça e o autor premiados e o Teatro de Arena, salvo, da crise financeira que há tempos assolava o grupo. Três anos depois (1961), estreou A Semente, no TBC, que contou com a direção de Flávio Rangel. A peça, de cunho abertamente político e inteiramente fora dos padrões do TBC, abordava de forma contundente a militância comunista, criticando tanto à direita quanto a esquerda. Embora contasse com atores já consagrados (Leonardo Villar, Cleyde Yáconis, Stênio Garcia e Natália Timberg, além do próprio Guarnieri, entre outros) e uma montagem grandiosa, com o aval da crítica, a peça teve muitos problemas de aceitação, o que acabou decepcionando os freqüentadores do então chamado “Templo Burguês do Teatro Paulista”. A peça saiu rapidamente de cartaz.
Em 1962, Guarnieri voltou ao Teatro de Arena, não só como ator e autor, mas como sócio. José Renato se alternava entre vários trabalhos, no Rio e em São Paulo e o Teatro de Arena acabou se tornando uma sociedade formada por Guarnieri, Augusto Boal, Paulo José, Juca de Oliveira, além do cenógrafo, Flávio Império. Juntos eles participaram de várias peças nessa nova fase como A Mandrágora, de Maquiavel (1962); O Melhor Juiz é o Rei, de Lope de La Vega (1963); O Filho do Cão (1964), primeiro texto de Guarnieri desde A Semente, tratava da questão do misticismo religioso e da reforma agrária, já em um turbulento contexto político (ano do Golpe Militar).
A partir desse momento, sua carreira como a de todos os intelectuais, ideologicamente identificados com a Esquerda, passou por momentos difíceis. Ele opta, então, por utilizar uma linguagem metafórica e alegórica que tomou corpo em montagens como os musicais, Arena conta Zumbi e Arena conta Tiradentes, escritos em parceria com Augusto Boal. Na década seguinte, deu prosseguimento a essa forma dramatúrgica, com peças como Castro Alves Pede Passagem (1971) e, principalmente, Um Grito Parado no Ar (1973), além de Ponto de Partida (1976), onde utilizava uma vila da Idade Média, como pano de fundo para focalizar a repressão, a partir da morte do jornalista Vladimir Herzog - pontos capitais do teatro brasileiro, nos anos 70. Sua última peça foi A Luta Secreta de Maria da Encarnação, realizada em 2001, no Teatro Sérgio Cardoso que, apesar da grande sofisticação da montagem, praticamente passou desapercebida do público. No teatro, também foi parceiro musical de compositores, como Carlos Lyra, Edu Lobo, Toquinho e Sérgio Ricardo.

TELEVISÃO:
A partir do final dos anos 50, passou a conciliar sua bem-sucedida atividade no Teatro, com uma presença cada vez maior na televisão e no cinema. Virou, assim, um dos nossos melhores e mais populares atores brasileiros. Em tevê, atuou em novelas, como A Muralha (1968); Mulheres de Areia (1973-74); Éramos Seis (1977); Jogo da Vida (1981-82); Cambalacho (1986); Rainha da Sucata (1990); A Próxima Vítima (1995); Belíssima (2006), entre outras.

CINEMA:
Paralelamente ao sucesso teatral de Eles Não Usam Black-Tie (1958), o diretor Roberto Santos dava o pontapé inicial no “Cinema Novo”, com o filme O Grande Momento, protagonizado por Guarnieri e Miriam Pérsia - um clássico do nosso cinema. Além desse filme, também participou de outros, como O Jogo da Vida (1976), de Maurice Capovilla; Gaijin - Os Caminhos da Liberdade (1980), de Tizuka Yamasaki; Eles Não Usam Black-Tie (1981), de Leon Hirszman, filme que ganhou o Prêmio Especial do Júri, no Festival de Veneza; A Próxima Vítima (1983), de João Batista de Andrade e O Quatrilho (1995), de Fábio Barreto.

Dramaturgo Jair Alves (autor do livro TEMPO DE RAUL E GUARNICA), com a colaboração da jornalista Suely Pinheiro.

 
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