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   Colunas . Opinião por Dulce Ribeiro

13.08.2008 imprimir Imprimir
 

Lugar de pai é em casa

Neste mundo de pouco tempo para tantas coisas, onde o prazer de curto prazo pode estar na compra de um tênis Nike, de um novo carro ou do último modelo de celular, pouco se discute a atenção, no sentido de "tempo para o outro". A sociedade que cultua o corpo, a boa forma, a aquisição de conhecimentos que estão na moda e que vão desde as últimas idéias do guru da Administração até a bolsa que a garota da novela está usando não está carente de tempo, mas de atenção.

Os papéis, antes claramente definidos, estão confusos. Nas empresas, a figura do líder passou a ser a do parceiro, que está ao lado da equipe. Abandonar as falas de um personagem autoritário para se dedicar a estar líder em diferentes situações é o desafio. A "aquisição" de novos textos para a liderança tem levado as organizações a discutir o papel desse novo gestor.

O paternalismo constituiu o ambiente empresarial de autoritarismo e privilégios. Aqueles que se "davam bem com o chefe" conseguiam o que queriam, por serem "bonzinhos", concordar e não reclamar. Hoje, a gestão necessita de relações democráticas, em que o conhecimento não esteja restrito ao "chefe", que precisa ouvir, conhecer e lidar com as diferenças individuais, pois não "sabe tudo" e transmite confiança. É necessário, portanto, que esse pai vá para casa. A figura do pai na empresa deixou de ter sentido. A empresa não é "uma família". Filhos não são demitidos, nem contratados.

As psicanalistas e pesquisadoras americanas Leif Terdal e Patricia Kennedy, autoras de Produção Independente - Criando meninos sem a presença do pai (Editora Rosa dos Tempos), constataram que 50% das crianças nascidas após 1975 vivem longe do pai. Quanto ao seu desenvolvimento emocional, os meninos apresentaram mais transtornos do que as meninas: baixo rendimento escolar, agressividade com a família e com os colegas, uso de drogas, depressão e angústia.

Por outro lado, independentemente da proximidade do pai, a sua figura precisa ser referendada de forma saudável pela mãe. Ao assumirem responsabilidades até então masculinas, muitas mulheres tendem a desqualificar os homens. "Teu pai é isso, teu pai é aquilo" soa como algo de difícil compreensão para aquele filho ansioso pela segurança de um modelo a seguir. A psicanalista brasileira Lulli Milman, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), autora de Cresceram!!! - Um guia para pais de adolescentes (Editora Nova Fronteira), afirma que "se a mulher desvaloriza o homem, mesmo casada com ele, esta criança sofrerá de miséria psíquica, porque parte de sua identidade foi aniquilada pela mãe, não importa onde esteja o pai".

Informações dessa natureza podem alimentar a discussão sobre o papel do pai na família, hoje constituída das mais variadas formas. É importante compreender, no entanto, que a falta de presença física não anula o diálogo de um pai atento e interessado, que mesmo longe telefona, pode estar no MSN, ouve com doçura aquelas "conversas bobas" da escola ou sobre o "fora" do namorado. Por outro lado, mães emocionalmente adultas podem auxiliar para que esse vínculo se constitua. Ligar-se às emoções do filho, conhecê-lo, poderá ser o fio que tecerá a trama de uma sociedade de indivíduos mais saudáveis, que têm pai dentro de si, sempre.

A atenção em forma de diálogo pode utilizar diferentes mídias, o importante é que ela seja responsável pela constituição de uma teia que poderá representar um futuro onde haverá tempo para ser pai, diariamente.


 
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