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16.08.2008 imprimir Imprimir
 

Dantas falou à CPI porque encontrou ambiente "mais tranquilo" do que na Justiça, diz advogado

O dono do Banco Opportunity, Daniel Dantas, só falou Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara dos Deputados, no dia 13 deste mês, porque "percebeu um ambiente, grosso modo, muito mais tranqüilo do que um ambiente judicial", disse na noite de na quinta-feira (14) o advogado que o defende, Nélio Machado, ao comparar a atitude de seu cliente na última quarta-feira com a postura de quinta-feira, na Justiça Federal.



Repetindo estratégia adotada em seu primeiro depoimento ao juiz Fausto De Sanctis e nos três interrogatórios concedidos ao delegado Protógenes Queiroz na Polícia Federal, Dantas também se manteve em silêncio quinta-feira, quando teve oportunidade de se pronunciar antes dos depoimentos dos delegados Protógenes Queiroz e Victor Hugo Ferreira, tomados durante todo o dia pelo juiz.

Os dois delegados foram arrolados pelo procurador Rodrigo de Grandis como testemunhas de acusação no caso que investiga tentativa de suborno ao delegado Victor Hugo Ferreira, que teria sido feita a mando de Dantas para retirar o seu nome como investigado na Operação Satiagraha.

Segundo Machado, Dantas não falou Justiça porque haveria "muitas imperfeições" no processo em que é réu. Mas na CPI, de acordo com ele, "a questão foi mais abrangente" e deu "espaço para que Daniel [Dantas] revelasse alguns episódios em que há toda evidência de que ele foi objeto e alvo de grampeamento [referindo-se ao caso que ficou conhecido como Kroll]".

Apesar de Hugo Chicaroni - que também é suspeito de tentar subornar o delegado - ter confirmado em depoimento Polícia Federal a tentativa de suborno, a defesa passou depois a usar a argumentação de que o delegado Protógenes Queiroz, que conduziu a Operação Satiagraha, e o delegado Victor Hugo é que teriam pedido o pagamento do suborno.

O procurador Rodrigo de Grandis informou que os dois delegados negaram essa hipótese no depoimento ao juiz. "Confirmaram o oferecimento de vantagem indevida, de propina, a fim de que se excluísse e se abafasse o caso em relação a Daniel Dantas e outras pessoas do grupo Opportunity", disse de Grandis.

Depois de ouvir os três réus (Chicaroni, Dantas e Humberto Braz) e as testemunhas de acusação, o juiz Fausto De Sanctis começa a ouvir, a partir da semana que vem, as testemunhas de defesa. Segundo Machado, entre elas estará o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), cujo depoimento deve ser por escrito.

 
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