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   Colunas . Léa Campos

03.09.2008 imprimir Imprimir
 

BRASIL, UM PAÍS MOVIDO A COTAS

Todos nós que estudamos a história do Brasil sabemos da importância do negro no desenvolvimento da Nação.

Os escravos trazidos pelos portugueses e posteriormente pelos ingleses foram responsáveis pelo desenvolvimento agropecuário do país. As mulheres tomavam conta das cozinhas e dos filhos dos senhorios, outras como servas e acompanhantes das senhoras, enquanto os homens faziam todo tipo de serviço braçal que havia nas fazendas. Tudo isso em troca da comida e de um lugar para dormir nas senzalas, sem nenhum conforto.

A princesa Isabel aboliu a escravidão no país dando a alforria a todos.

Mais de um século depois descobrimos, que o negro continua sendo tratado como escravo, como um  estorvo e  um ser indesejado dentro da sociedade.

Os que me lêem devem estar pensando que sou racista. Não sou, muito pelo contrário, creio que os valores morais de uma pessoa não podem ser  determinados pela cor da pele.

Infelizmente este ao que parece, não é o pensamento do atual governo, senão vejamos: primeiro criaram a cota para dar direito ao negro de cursar uma faculdade, sistema polêmico e que demonstrou que o protecionismo estava latente no momento de proporcionar a dita cota ao candidato e muitas vezes foi negada a matrícula, sob alegação de que a cota estava preenchida.

Creio que para ser um bom profissional a cor é o que menos conta. É preciso ser inteligente e ter capacidade de exercer a profissão almejada, o que será alcançado com o estudo pretendido. Foram muitos os que entraram na justiça para provar que havia vaga e que a cota não estava completa.

Não se tem conhecimento dos critérios utilizados pelo governo para favorecer o aluno não branco a ingressar numa faculdade.

Desde quarta feira passada estamos convivendo com outra injustiça que estão  prestes a cometer, foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, (CDH) o projeto de lei apresentado pelo Senador Paulo Paim(PT-RS), estabelecendo cotas para negros nas empresas governamentais e privadas.

O texto da tão absurda lei determina 20% dos cargos em comissão, do grupo de Direção e Assessoramento Superior (DAS) da administração pública, “que será ampliado gradativamente até que a ocupação desses  cargos por afro-brasileiros seja equivalente à proporcionalidade dessas pessoas na população brasileira”.

No que se refere às empresas privadas, as que tiverem 200 empregados, deverão reservar 46% dessa vagas para os negros. Por que para os empresarios privados a cota é maior?

 O projeto determina ainda que os empregadores não poderão pedir fotos ou declaração de raça ou cor no momento de pedir emprego.

Dito projeto será examinado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado antes de ser enviado à   Câmara dos Deputados.

O racismo pode ser notado nas casas de muitos políticos, onde os empregados em geral são brancos, assim como os motoristas que servem estes mesmos políticos.

Para ele “seria ingênuo, em boa fé, ou cínico em boa má fé, se não reconhecemos esse preconceito na sociedade brasileira”, daí entende-se que “essas regras não escritas, a Constituição de 1988 oferece remédios das ações afirmativas”.

Indigna saber, que em pleno século 21 os políticos criam leis para favorecer uma camada da sociedade, que não deveria ser tratada como diferente porque realmente não é.

Afonso Arinos foi autor de uma lei, que apesar de não ter sido revogada nunca foi cumprida.

Dificilmente um negro sem ser rico ou famoso, pode hospedar-se em um hotel de luxo, os restaurantes não oferecem o mesmo trato ao cliente que não é branco, nas escolas são depreciados pelos companheiros e em muitas ocasiões humilhados.

Quando um garoto de cor negra se sobressai no futebol logo o apelidam de “Pelé”, numa alusão ao rei do futebol.

Nossa Constituição precisa ser colocada em prática por todos, independentemente do setor que opera. Não podemos tratar nossos irmãos de cor de forma diferente ou impor cotas para que possam vencer as barreiras impostas pela vida, além das que o homem impõe apenas por não ser branco.

Pensando bem o branco e o negro se equivalem, pois nos dois casos existe a ausência de cor, logo não há motivo para discriminação.

O intelecto e a capacidade do ser humano não se mede pela pigmentação de sua pele.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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