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   Colunas . Léa Campos

05.11.2008 imprimir Imprimir
 

“NA MINHA SOU EU QUE MANDO”

O governo brasileiro gasta anualmente, R$37 milhões com tratamentos de saúde e pensões pagas por morte de pessoas vítimas do tabagismo passivo, sem levar em conta os casos de fumantes que sem dúvida são mais.

O estudo feito por “Impacto do Custo de Doenças relacionadas com o tabagismo passivo no Brasil”, uma pesquisa encomendada pelo Instituto Nacional do Câncer à Universidade Federal do Rio de Janeiro e divulgada recentemente,

O estudo baseou na estimativa entre “mortalidade atribuída ao tabagismo passivo no país”que concluiu que 2.655 não fumantes morrem por ano em conseqüência de doenças isquêmicas do coração, principalmente enfarte, acidente cerebral e câncer pulmonar, as três principais doenças relacionadas ao fumo.

Na tentativa de melhorar o ambiente pelo menos para os que não fumam, o Ministério da Saúde, tentou discutir o projeto federal que proíbe o fumo em lugares fechados, com o presidente Lula.

Ao ser indagado sobre a lei que proíbe o uso de cigarro ou qualquer outro produto do gênero em recintos fechados, públicos ou privados, em observância à lei 9.294 de 15 de Julho de 1996, que não está sendo cumprida. Lula demonstrando total falta de respeito às leis que regem o país e ao povo brasileiro, respondeu: “Eu defendo na verdade o uso do fumo em qualquer lugar. Só fuma quem é viciado”. 

A imprensa presente ficou estupefata quando o presidente argumentou que: “a idéia  do Ministério da Saúde é a proibição do fumo em todos os lugares  fechados, eu mando o projeto para o Congresso, mas não voto”.

Manda o projeto e um recado “sugerindo a não aprovação, pois como vem fazendo desde o inicio de seu mandato só o que ele quer pode ser aprovado no Brasil.

Ao ser perguntado sobre o decreto que proíbe o fumo no Planalto, o presidente dos aloprados respondeu em alto e bom som:

“Menos na minha sala, se eu for na sua sala, certamente não fumarei porque tenho que respeitar o dono da sala. Mas na minha, sou eu que mando”.

Ainda assim o Ministro da saúde José Gomes Temporão, informou que seu ministério dará prioridade a lei contra o tabagismo.

Segundo a economista Márcia Pinto, o fumo proporciona um prejuízo de R$ 338,6 milhões ao SUS, anualmente em internações e quimioterapias.

O desrespeito a lei anti-tabagismo é tão grande, que o Hospital das Clínicas de São Paulo, lançou nessa segunda-feira o projeto “Instituto Central do Hospital das Clinicas Livre do Tabagismo”, que proíbe o fumo dentro do hospital.

Segundo a campanha, quem for apanhado fumando nas dependências do instituto poderão ser punidos de acordo com o estatuto do funcionalismo público e das leis federal e estadual.

A medida também atingirá as dependências externas do hospital, inclusive os jardins e as varandas, o Hospital  informou ainda que os pacientes, visitantes e acompanhantes receberão informações sobre a proibição.

É inacreditável que tenha que criar esse tipo de proibição para que as vidas de doentes sejam respeitadas dentro de um hospital onde está em busca de recuperação.

Pior ainda é um presidente receber em seu gabinete a imprensa e o Ministro da Saúde para tratar da lei anti-tabagismo fumando charuto.

Ele pode fazer o que bem entender com a vida dele, mas o fato de ter um mandato presidencial não dá a ele o direito de agredir a vida de ninguém e muito menos impor aos demais seu vício, já que ele mesmo afirmou “só fuma quem é viciado”.

Se é proibido fumar nas dependências do Planalto, independente do cargo que se ocupa, a lei tem que ser cumprida, nem mesmo o presidente tem o direito de violar as leis de um país.

O fato de não ter instrução e educação não dá a ninguém o direito de sair por aí jogando fumaça na cara dos demais.

Nunca na história do Brasil tivemos um presidente que nos desrespeita tanto.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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