Dólar
Compra: $2,34
Venda: $2,34
.
    Classificados
 
  CLIQUE AQUI
  1 (973) 344-4555
 
    Notícias
 
Home Page
Ed. Sábado
E V E N T O S
M U S A   BP
Brasileirão
Cartas do Leitor
Ed. Anteriores
Fotos
Orkut
 
    Social Press
 
Connecticut
New York
Social Press
Social DJ's
 
    Ed. Sábado (acesse)
clique para acessar
 
    Colunas
 
Batucando
Dajosan
Léa Campos
Opinião
Áurea Alves
Kids in Action
Cozinhando
 
    Serviços
 
Consulados
Cotação
Tradução
 
    Interação
 
Anuncie
Assine
Expediente
Fale Conosco
 
  Publicidade
 
  Colunas . Áurea Alves

11.03.2009 imprimir Imprimir
 

JOÃO DO RIO - JORNALISMO DE COMEÇO DE SÉCULO

"O jovem chegado do norte, à meia-noite, estava no seu quarto, pensando. Tinha vinte anos. Queria subir rapidamente. (...) O jornalismo leva a tudo, mas é, especialmente a profissão sonhada: glória, fama, dinheiro, tudo fácil! (...) Então ele viu a ânsia perdulária do dinheiro nos jornais, ele viu que as remunerações secretas dos governos são regateadas e pagam mal, ele viu que não o compreendiam sincero e bom, senão com o fito de gorjetas vergonhosas, ele compreendeu o trabalho dilacerante e exaustivo dos que tinham subido, e a fúria com que se agarravam às posições, (...). Não era o esplendor. Era a miséria infernal.” Charuto Filipino

O jornalista Paulo Barreto parou na calçada e definiu sua direção. Era simples escolher um roteiro, pois cada parte da urbis, como chamava, provia fartamente suas crônicas, o que lhe proporcionava prazer, ainda que identificasse aspectos de que não gostasse ou fosse conflitante com seu mundo. A necessidade de andar era fundamentada num modo de ser que conheceu em suas viagens à Paris: o flâneur, que observava em suas caminhadas exatamente os tipos das ruas. Aos vinte e sete anos havia amadurecido e compreendido, ainda que amargamente, a relação da imprensa com as elites das quais ele fazia parte.

Nascido em família de bom nível, Paulo concluiu os estudos com o auxílio do pai, um respeitado educador. A rigorosa formação despertou-lhe o encanto pela profissão de jornalista e aos dezesseis anos foi trabalhar num jornal, aos dezoito escreveu seu primeiro artigo e nunca mais parou. De qualquer modo conseguiu ir além, desprendendo-se de frustrações alheias, alimentando a própria frustração com cultura, realçada pela investigação dos marginais de sua cidade. Essa mistura tornou-o um jornalista bastante lido e respeitado. Sabia o que escrever para agradar as elites, não se envolvia com a dor dos miseráveis, mas a tornava totalmente exposta assim como a toda a mediocridade, dolorosa ou não, que enxergava em seus passeios pela cidade e pelo mundo. A cidade em que vivia no começo do século XX era o Rio de Janeiro, a Capital Federal do Brasil, remodelada, adaptada aos novos tempos, ao grande número de gente que chegava em busca de trabalho e de sobrevivência. A cidade passava por uma política sanitarista e de urbanização acentuada.

Entre os vinte e os trinta e nove anos, Paulo, sob vários pseudônimos, registrou as mudanças de sua cidade, que crescera rumo ao mar, abrigando uma nova elite e espantando do centro os pobres que se mudavam para pontos mais distantes. Nesses registros as marcas sociais eram indeléveis e evidentes. Sua cidade, o Rio de Janeiro, era encantadora. Esgueirando-se pelos becos sobraram personagens que Paulo, agora João do Rio, passou a buscar em seus passeios, andanças, hábito necessário ao repórter que buscava a notícia no cotidiano, nos assuntos corriqueiros.

Nos diversos jornais em que trabalhou, tornou-se popular, sagrando-se como o maior jornalista de seu tempo. Usou vários pseudônimos, além de João do Rio, tendo deixado obras importantes, sobretudo como cronista. Foi o criador, no jornalismo, da crônica social moderna. Ao falecer em 1921 era diretor do diário A Pátria, que fundara um ano antes.

Seus registros, embora valiosos, sempre foram acompanhados de decepção e, até, um certo horror às mazelas que prazerosamente procurava. Era como se ele visse o mal, enxergasse a dor, mas se ocultasse no conforto de saber-se culto, em boa situação financeira. Esse horror foi destilado na crueza de seus registros. Nada do que narrou fugiu a essa lógica, o que permitiu a realização de um trabalho jornalístico inédito até então.

blog: http://taxi.zip.net  ou http://aurealves.wordpress.com/ (inglês)
 
Comente sobre esta matéria:
 
nome:  
e-mail:  
assunto:  
Mensagem:  
   
 
 
  Publicidade
.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
WebtivaHOSTING | webtiva.com . Webdesign da Bahia!
| ANUNCIE | ASSINE | EXPEDIENTE | CLASSIFICADOS | FALE CONOSCO |
| Copyright © 2006-2009 . Brazilian Press . Todos os direitos reservados.
BPMagazine.com Forum BP Assine Como Anunciar Fale Conosco Cadastro Eventos Famosos Aniversários Shows