Ser empreendedor
Por Iva Maria*
Pela experiência pode-se afirmar que a maioria das pessoas, se estimuladas, pode desenvolver habilidades empreendedoras. Ouve-se e fala-se que o empreendedor precisa ter visão. Visão pessoal. Uma visão que vem de dentro. A maioria das pessoas tem pouca noção da verdadeira visão, dos níveis de significado. Metas e objetivos não são visão. Ser visionário é imaginar cenários futuros, utilizando-se de imagens mentais. Ter visão é perceber possibilidades dentro do que parece ser impossível. É ser alguém que anda, caminha ou viaja para inspirar pensamentos inovadores.
Esse enfoque se volta à disposição de assumir riscos e nem todas as pessoas têm esta mesma disposição. Não foi feito para ser empreendedor quem precisa de uma vida regrada, horários certos, salário garantido no fim do mês. O empreendedor assume riscos e seu sucesso está na “capacidade de conviver com eles e sobreviver a eles” , vamos apresentar algumas diferenças dos três personagens que correspondem a papéis organizacionais, quais sejam:
a) o Empreendedor: que transforma a situação mais trivial em uma oportunidade excepcional, é visionário, sonhador, o fogo que alimenta o futuro, vive no futuro, nunca no passado e raramente no presente. Nos negócios é o inovador, o grande estrategista, o criador de novos métodos para penetrar nos novos mercados;
b) o Administrador: que é pragmático, vive no passado, almeja ordem, cria esquemas extremamente organizados para tudo;
c) o Técnico: que é o executor, adora consertar coisas, vive no presente, fica satisfeito no controle do fluxo de trabalho e é um individualista determinado.
É importante destacar neste pensamento que é um fato os três personagens estarem em eterno conflito, sendo que ao menor descuido o técnico toma conta, matando o visionário, o sonhador, o personagem criativo que está sempre lidando com o desconhecido. Os riscos fazem parte de qualquer atividade, sendo necessário aprender a administrá-los, pois eles são um dos fatores mais importantes que inibem o surgimento de novos empreendedores. Um outro fator inibidor é o “capital social”, que são valores e ideias que sublimemente nos foram incutidos por nossos pais, professores, amigos e outros que influenciaram em nossa formação intelectual e que, inconscientemente, orientam nossas vidas.
Desta forma, um pai engenheiro desperta no filho o ideal de seguir a mesma carreira, militares, pilotos, esportistas, até pessoas que raramente vão vislumbrar ou ter interesse numa carreira de empreendedor exercem sua influência na formação das pessoas. É de se considerar, porém, que a avaliação mais objetiva do preparo para empreender é a percepção que a pessoa tem de si própria, refletindo na sua autoconfiança. Com o potencial empreendedor também isso acontece. O que se aprende na escola, nas pesquisas, nas observações vai se acumulando. O preparar-se para ser empreendedor, portanto, inicia-se com o domínio que se tem sobre tarefas que se fazem necessárias, o próprio desenvolvimento da capacidade de gerenciamento. O que falta, na verdade, é motivação para uma tomada de decisão para se tornar um empreendedor.
Decisões tomadas no cotidiano são inúmeras. Os processos de decisão nem sempre são simples, objetivos e eficientes como deveriam ser, pois se a intuição está de um lado, a análise racional está do outro.
Descrevem-se aqui os oito estilos de decisão:
- Intuitivo: tenta projetar o futuro com perspectiva a médio e longo prazo, imaginando o impacto dessa ação.
- O planejador: situa-se onde está e para onde se deseja ir com planejamento e tendo um processo de acompanhamento, adequando à realidade sempre que for necessário.
- O perspicaz: diz que além da percepção é necessário conhecimento.
- O objetivo: sabe qual o problema a ser resolvido.
- O cobrador: tem certeza das informações, vê a importância de medir e corrigir quando o resultado não foi o decidido.
- O mão –na–massa: envolve-se pessoal e diretamente, acredita em grupos para estudos multidiciplinares.
- O meticuloso: junta opiniões de amigos, especialistas, funcionários, tentando se convencer da solução a encontrar.
- O estrategista: decide cumprir sua estratégia de crescimento, tendo percepção do que resolver. Diagnostica o problema para encontrar a solução e sua resolução com eficácia.
A decisão é de cada um. Interagir, refletir, deixar a cada um o momento de uma descoberta e desenvolver habilidades específicas para o sucesso da sua escolha é de responsabilidade única e exclusiva. As características comuns que se encontram no empreendedor que fez uma escolha, tanto nas universidades como na sociedade, são difíceis para listar com precisão, porém diferentes autores chegaram a algumas conclusões. Elas dizem respeito às necessidades, conhecimento, habilidades e valores. Assim sendo, faça uma auto análise do que você foi no passado, o que você é hoje e o que você quer ser no futuro.
*Iva Maria, presidente fundadora da ONG AEMBR Associação dos Estrategistas da Motivação no Brasil, consultora de negócios , palestrante, colaboradora do Jornal Brazilian Press, colaboradora da Rádio 1700 AM, todas as terças-feiras das 3h30 às 4h00 pm. Autora do projeto “Sala do Empreendedor” dirigido ao público interessado em desenvolvimento pessoal através do empreendedorismo. |