509 anos já se passaram desde a chegada de Cabral às Terras de Vera Cruz. Caminha escreveu dizendo que “em se plantando tudo dá”, mas umas dão mesmo sem plantar. Dão por necessidade ou por mera vontade, porém uma coisa é certa: quem não dá não recebe. Segundo os políticos é dando que se recebe e uma grande parte deles não dá nada e levam tudo de todos da Pátria que os pariu.
Qual foi a Pátria que nos pariu? Foi Portugal às margens do Tejo ou foi a terra tropical onde políticos corruptos e um povo semialfabetizado se deixa levar por promessas vindas de mentes macabras e gananciosas de olho no erário público nacional. Afinal onde estão estes filhos da pátria que foram paridos em todas as partes, mas na hora da divisão sempre ficam com a melhor parte.
Falta educação, segurança e saúde. Disse o poeta que Deus dará, mas se Deus não der como ficará? Como ficaremos sentados à beira do caminho ou fazendo o mesmo ao caminhar na busca de instrução, segurança e saúde? Se continuar deste jeito para onde irão os filhos da pátria? Paridos nas matas, cerrados e sertões, os filhos, que hoje sem terra, clamam por sua parte em latifúndios em busca da terra que lhes foi prometida e o povo do norte, os irmãos do sul, do sudeste e do centro vivem como a peste zanzando pelos campos com uma certeza de que de toda esta terra só terão uma cova na terra que sonhou ver divida.
Pai que estás no céu tenhas piedade dessa gente trabalhadora e decente. Iluminai a cabeça e o coração dos poderosos de plantão, que olhem para o povo com mais respeito e gratidão, pois estes filhos da pátria que nos pariu são nossos irmãos. São a eira do moinho, a bateia do garimpo e gente pobre, humilde, de peito aberto e coração limpo. São filhos, pais e irmãos de uma terra que nos viu nascer e hoje vivemos errantes mundo afora na espera de um dia ver o romper de uma nova aurora, às margens do Rio Doce ou do Itajaí, quem sabe do Beberibe, entretanto uma coisa é certa pai, um dia queremos voltar para viver nas montanhas e vales das Gerais, nos pampas e até descansar às sombras de coqueirais, da selva desvairada, das pedras do sudeste. Voltar para o sertão de bodes, forró e cabras da peste. Viver na terra que nos viu nascer, sentir na face a brisa do mar, seja de Iracema, Amaralina, Boa Viagem ou Itapoã, pois aqui lutamos com a certeza de que o amanhã virá. Só o senhor sabe se será melhor pior, mas por pior que seja meu pai queremos voltar para a Pátria que nos pariu.