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  Colunas . Opinião . Francisco Sampa

27.05.2009 imprimir Imprimir
 

QUAL FOI A PÁTRIA QUE NOS PARIU?

509 anos já se passaram desde a chegada de Cabral às Terras de Vera Cruz. Caminha escreveu dizendo que “em se plantando tudo dá”, mas umas dão mesmo sem plantar. Dão por necessidade ou por mera vontade, porém uma coisa é certa: quem não dá não recebe. Segundo os políticos é dando que se recebe e uma grande parte deles não dá nada e levam tudo de todos da Pátria que os pariu.

Qual foi a Pátria que nos pariu? Foi Portugal às margens do  Tejo ou foi a terra  tropical onde políticos corruptos e um povo  semialfabetizado se deixa  levar por  promessas vindas de mentes macabras e gananciosas de olho no erário  público nacional. Afinal onde estão estes filhos da pátria que foram paridos em todas as partes, mas  na hora da divisão sempre ficam com a melhor parte.

Falta educação, segurança e saúde. Disse o poeta  que Deus dará, mas se Deus  não der como ficará? Como ficaremos sentados à beira do caminho ou fazendo o mesmo ao caminhar na busca de instrução, segurança e saúde? Se continuar deste  jeito para onde  irão  os filhos da pátria? Paridos nas matas, cerrados e sertões, os filhos, que hoje sem terra, clamam por sua parte em latifúndios em busca da terra  que lhes foi prometida e o povo do norte,  os irmãos do sul, do sudeste e  do centro vivem como a peste zanzando  pelos campos com uma certeza de que de toda esta  terra só terão uma cova na terra que sonhou ver divida.

Pai que estás no céu tenhas piedade dessa gente trabalhadora e decente. Iluminai a cabeça e o coração dos poderosos de plantão, que olhem para o povo  com mais respeito e  gratidão, pois  estes filhos da pátria que nos pariu são nossos irmãos. São a  eira do moinho, a bateia do garimpo e gente pobre, humilde, de peito aberto e coração limpo. São filhos, pais e irmãos de uma terra  que nos viu nascer e hoje vivemos errantes mundo afora na espera de um dia  ver o romper de uma nova aurora, às margens do Rio Doce ou do Itajaí, quem sabe do Beberibe, entretanto uma coisa  é  certa pai, um dia queremos  voltar para viver nas montanhas e vales das Gerais, nos pampas e até  descansar às sombras de coqueirais, da selva desvairada, das pedras do sudeste. Voltar para o sertão de bodes, forró e cabras da peste. Viver na terra que nos viu nascer, sentir   na face a brisa do mar, seja de Iracema, Amaralina, Boa Viagem ou Itapoã, pois aqui  lutamos com a certeza de que o amanhã virá. Só o senhor sabe se será melhor pior, mas por pior que seja  meu pai queremos voltar para a Pátria  que nos pariu.

 
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