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  Colunas . Léa Campos

01.07.2009 imprimir Imprimir
 

DISCRIMINAÇÃO

É repugnante e revoltante ver um ser humano ser tratado como animal por sua cor escura.

Foi o que aconteceu quando o argentino, jogador do Grêmio porto-alegrense, (não menciono o nome porque não merece), chamou o atleta Elicarlos de “macaquito”.

Não é a primeira vez que ocorre tal fato no Brasil e sempre vindo de jogadores argentinos. O episódio anterior foi com Grafite em 2005 também pela Libertadores. Infelizmente o brasileiro retirou a queixa e ficou o dito pelo não dito, dando margens para que outros façam o mesmo.

O Brasil é um país com 48% de sua população negra, devido à miscigenação na época do descobrimento, quando portugueses  trouxeram da África escravos para servir a nobreza e mais tarde os ingleses para exploração de ouro nas terras brasileiras principalmente em Minas Gerais.

O racismo no país é tão sério que levou o Deputado Federal Afonso Arinos de Melo Franco, mineiro de BH, a criar a lei 1390 aprovada em 03 de julho de 1951 que criminaliza o racismo e que desde 1985 tornou o racismo crime inafiançável.

Apesar da lei, a vida do negro na terra dos tupiniquins não é fácil, pois o próprio governo promove a discriminação ao criar cotas universitárias para o negro, independente de sua capacidade intelectual, o que é mais repugnante ainda.

O que temos que fazer é abolir o “apartheid” (reinante no país), prática onde os brancos estão no poder, enquanto os demais são separados sem direito a frequentar escolas superiores e com sub empregos.

Basta dar uma olhada nos cargos de relevo no Brasil para ver que é quase nula a presença de negros e quando aparece algum armam arapuca para tirá-lo.

Somos todos, de uma forma ou de outra, descendentes de africanos ou índios, não sei porque tanta discriminação.

Voltando ao futebol, nossas autoridades precisam ser mais severas com quem comete discriminação e se for estrangeiro com mais razão.

 A atitude do argentino apoiada pela delegação gremista, de fazer certas exigências foi uma burla à nossa polícia e ao povo mineiro e porque não dizer brasileiro, já que jogador de cor não é privilégio do Cruzeiro.

O jogador deve ser punido exemplarmente para que tal fato não volte a acontecer e não pode esfriar porque a dor também esfria.

O insulto aconteceu e a TV mostrou a leitura labial do agressor chamando Elicarlos de “macaquito”. Se não houver a punição que a lei dispõe, prisão sem direito à fiança, essa burla continuará e poderá trazer uma consequência indesejada.

A desculpa esfarrapada dada pelo dito jogador não convence nem a ele mesmo. Dizer que não fala português suficiente para sustentar uma discussão não convence, pois em nosso idioma a palavra macaquito não existe, portanto ele usou uma terminologia do idioma falado por ele.

Dita atitude é o que chamam em outros países  de crime de ódio.

Nos EEUU temos visto brancos matando imigrantes por sua condição de raça, por serem de origem hispana, que em geral não têm a pele branca, de qualquer maneira estão discriminando e o mesmo pode acontecer no Brasil se não for tomada uma atitude séria e uma punição  exemplar no caso de Elicarlos. Coincidentemente os dois jogadores que ofenderam nossos atletas pela cor são argentinos. Será que eles gostariam de ser discriminados e o que é  pior na casa deles?

Não queremos que os cruzeirenses tomem a justiça em suas mãos, sabemos o que poderá acontecer em Porto Alegre no próximo jogo e pedimos a Deus para proteger nossos torcedores para que não caiam na provocação local, porque os  prejudicados serão os próprios torcedores e o time.

O governo deveria tomar este fato como guia e acabar com a discriminação das cotas para que o negro entre numa universidade, o importante é passar no vestibular, o resto é invento de quem não sabe o que fazer no poder.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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